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Batalhando pela Fé.

[…]tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez por todas foi dada aos santos (Judas 1:3).

Se olhássemos mais criteriosamente o cenário religioso atual, poderíamos nos surpreender todos os dias com a expansão de uma fé tão subjetiva e mística, sem fundamento e débil que é impregnada dentro e fora do país. E de fato, é assim que vemos nos dias contemporâneos, onde o homem moderno é influenciado por aquilo que aponta para ele mesmo e para suas experiências imperfeitas e egoístas, ainda que podem ser sinceras a certo ponto. Isto é o que se chama de antropocentrismo, o mundo girando ao redor do homem. Há uma necessidade tão grande de satisfazer as necessidades do homem pós-moderno que as demais coisas como a moral, os princípios básicos e até mesmo a razão tem sido lançadas por terra. E principalmente, o Evangelho da graça de Deus e da fé em Jesus.

São incontáveis os shows promovidos nos cultos, as incoerências nos púlpitos e tantas outras aberrações que, parecem se renovar a cada dia. Aquilo que era no passado conhecido como a fé cristã, pura, fiel às Escrituras, e uma vida dirigida pelo Espírito Santo regada de piedade, já se tornou coisa obsoleta e tradicionalista demais para o pós-modernismo eclesiástico. E apesar de vivermos numa época onde o conhecimento é mais acessível, dinâmico e possui uma gama tão grande de informações sendo lançadas a todo o momento nos livros, revistas, sites, dentre outros meios, parece que vivemos o tempo da ignorância proposital. E essa ignorância tem inundado aquilo que conhecemos como mundo gospel.

Se olharmos atentamente, veremos que a verdadeira fé, bíblica, nunca foi a que vemos por aí baseada em visões de homens carnais incircuncisos de coração, enfatuados e plenos de toda ignorância quanto à Palavra de Deus e seus desígnios. A fé de nossos irmãos do passado, que nos legaram a nossa herança espiritual, sempre esteve alicerçada na Palavra de Deus. Nunca a fé esteve associada com indolência intelectual, pelo contrário, homens como nós se dedicaram e muito, empregando todos os seus esforços para que o mundo ao redor deles pudesse comtemplar a fé bíblica, baseada nos ensinos de nosso Senhor Jesus Cristo. Imagine se homens como Calvino, Lutero, John Hus e tantos outros tivessem se rendido a uma fé contemplativa, sem ação, apenas crentes de banco, sem dedicação ao conhecimento e aprofundamento das Escrituras.

Antes que o Cânon das Escrituras fosse formado e fechado, os apóstolos escreviam cartas e as enviavam às igrejas. Havia constante necessidade de exortações, reafirmações, incentivos à tudo aquilo que dizia respeito à sã doutrina e à vida cristã pura, ao conhecimento da fé que fora legada. Foi nesses termos que Judas escreveu dizendo: “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez por todas foi dada aos santos” (Judas 1:3). Havia uma necessidade de reafirmar a fé, pois muitos falsos mestres e apóstolos estavam se levantando e arrastando os crentes para uma fé dúbia e débil.

Assim também o escritor de Hebreus exortou os irmãos que não estavam se firmando no que havia sido ensinado com poder, pois disse: “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento.” (Hebreus 5:12). O tempo não faz o crente, mas o escritor de Hebreus critica a lentidão do desenvolvimento dos crentes, pois por tanto tempo sendo ensinados nas Escrituras e na fé em Cristo, logo se esqueciam do que haviam aprendido e tinham necessidade de ouvir novamente desde o fundamento. Convenhamos, se esqueceram é porque não aprenderam, ou no mínimo não praticaram o que aprenderam. Tiago exorta semelhantemente as “doze tribos dispersas” em Tiago 1:22-25.

Os escritos de Paulo constituem grande parte da teologia sistemática revelada no Novo Testamento. Mas será que o sábio Paulo era negligente com relação ao conhecimento, ao estudo das Escrituras? Na carta escrita aos gálatas, Paulo inicia com sua apresentação reafirmando a origem de seu apostolado como da parte de Deus e não de homens, isto é, Paulo foi comissionado e recebeu revelação de Deus. Porém isto não foi motivo para que ele viesse a deixar as Escrituras de lado e partisse para as suas experiencias de revelações e arrebatamento que ele havia experimentado. Paulo ainda no início desta epístola também apresenta as credencias da fé que permeava o seu ministério, a qual era baseada na morte de Cristo por nossos pecados e na sua ressurreição (v.1 e 4). Os gálatas passavam por dificuldades em se firmar no Evangelho verdadeiro. Não era falta de fé, mas falta de reafirmação dessa fé. Os crentes da galácia estavam se enredando para outras práticas que eram estranhas ao Evangelho de Cristo, e por isso o Apóstolo enfatiza a maldição daqueles que pregavam essas práticas como sendo o Evangelho (v.8 e 9).

Paulo relata ainda que após seu chamado ele não se juntou com os demais Apóstolos do Senhor, mas partiu para a Arábia e depois para Damasco. Qual seria o objetivo de Paulo em se isolar daquele centro religioso que tumultuava toda a Judeia, Samaria e circunvizinhanças? Ao que se dizem os intérpretes cristãos, Paulo passou três anos de intenso estudo das Escrituras e não se valeu dos ensinos dos Apóstolos. Após tantos anos em afinco na pregação do Evangelho por quase todo o mundo conhecido daquela época, Paulo jamais foi omisso ao estudo das Escrituras em consideração das revelações que ele tinha do Senhor, mas dedicava-se a leitura, como podemos ler seu pedido a Timóteo (2 Tm. 4:13).

Pedro também exortou os irmãos das igrejas da Ásia e demais regiões a que progredissem no crescimento espiritual, o qual é, segundo ele, o leite racional, não falsificado (1 Pedro 2:2). E quanto aos escritos de Paulo, ele disse que “há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2 Pedro 3:16). Isto é tão antigo, mas é tão atual ao mesmo tempo. Pois aí estão os mesmos que deturpam as Escrituras com seus enganos e suas cobiças malígnas para satisfazerem a si mesmos com todo egoísmo, luxúria, avareza e idolatria, atraindo para si mesmos a condenação e bem assim os que os ouvem e os seguem.

Como poderemos defender aquilo que cremos, se não conhecemos os fundamentos da nossa fé? Quando o alicerce é lançado, como poderá ser ele substituído sem que toda a construção seja derrubada? Quando desconhecemos os fundamentos da fé, e sobre ele deixamos de construir, rapidamente outro fundamento que seja “mais atraente, avivado, mais isso, mais aquilo” pode ser posto no lugar do sólido fundamento. Esse é o apelo das teologias estranhas que vemos hoje e que têm encontrado as portas das igrejas históricas abertas para receber estes ensinos. A água que sai pelas finas frestas de uma rachadura numa barragem, é a mesma que a destrói com ímpeto. Como poderemos nos firmar no conhecimento da fé, se damos oportunidade para que nós mesmos sejamos doutrinados por ensinos outros?

Portanto, devemos nos opor a tudo aquilo que está arbitrariamente contrário aos ensinos da Palavra de Deus. Temos 66 livros para perscrutar e aprender mais de Cristo, do Evangelho e da salvação. Quantos de nós estamos dispostos a renunciar nossos deleites e mudarmos nossas prioridades para experimentar já, agora, o deleite em Cristo, no seu sofrimento, morte e ressurreição? Obra cujo nosso intelecto não pode comportar plenamente, de tão vasto e insondável amor de Deus revelado, inspirado e escrito na dose certa para a nossa fé, e totalmente acessível, às nossas mãos: A Bíblia. Exortamos aos homens, principalmente os da fé, que retornem às Escrituras diligentemente, a fim de serem poupados de muitas tribulações.

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