Mensagens

Carta aos Filipenses: Breve Introdução

Não há dificuldades em se atribuir a autoria da Carta aos Filipenses a Paulo, o Apóstolo. As evidências internas e externas não deixam lacunas quanto a esta constatação. Não obstante alguns críticos objetarem isto, Carson e outros atestam que “a ausência de temas paulinos característicos certamente não é muito significativa. Não existe nenhum lugar em que Paulo os menciona todos juntos” (1997, p. 351). O que se pode concluir é que, embora questões quanto aos vocábulos presentes no hino do capítulo 2:5-11 tenham levantado alguma indagação quanto a divergência autoral, não há dúvidas de que Paulo é o autor de Filipenses.

Evidências internas:

a)    O estilo literário presente na carta é semelhante ao das demais cartas também reconhecidas como sendo do Apóstolo (Romanos, 1 e 2 aos Coríntios e Gálatas);

b)    Informações autobiográficas são claramente encontradas na epístola(3:5-6);

c)    A reivindicação pessoal de Paulo encontrada no início da carta, bem como as tribulações relacionadas aos destinatários e o modo de lidar com elas, dentre estes o contexto no qual a carta parece ter sido escrita, reforçam o crédito quanto a autoria paulina;

d)    O estilo de oposição e linguagem empregada contra os falsos mestres – que constitui argumentos das demais cartas reconhecidamente paulinas é análoga;

e)    Não há argumentos contra relevantes o suficiente que permitam a rejeição da atribuição da carta a Paulo;

Evidências externas:

a)    O Cânon Muratoriano é a lista de livros do N.T. mais antigo encontrado, tendo sua data de escrita por volta do ano 170 d.C. Na verdade, o documento é um fragmento descoberto por Ludovico Antonio Muratori em um manuscrito na Livraria Ambrosiana em Milão, Itália. Nele alguns livros e cartas são mencionados, bem como a autoria destes escritos. A carta aos Filipenses está entres estes escritos mencionados cuja autoria foi, sem problemas, aceita como sendo do Apóstolo Paulo.

b)    Os Pais Primitivos em seus escritos fazem referências à carta, o que eleva seu conteúdo como aceito e confiavelmente apostólico.

Esses argumentos compõem a básica estrutura confiável que sustenta a autoria paulina de Filipenses. As oposições levantadas pela crítica moderna se mostram insustentáveis por não apresentarem quaisquer evidências relevantes que justifique outro autor (HANSEN. p.15). Dessa forma, há forte sustentação que garanta tranquilamente a autoria da Carta aos Filipenses sendo de Paulo.

Destinatários

Uma vez constatada a autoria paulina sem significantes dificuldades, ainda mais clara e concisa fica a questão quanto a quem ela teria sido destinada (1:1, 4:15). A gratidão e afetuosidade do apóstolo pela igreja estabelecida em Filipos demonstra qual a relação que ele tinha com os irmãos desta proeminente cidade e a intimidade que eles desfrutavam de Paulo. O livro de Atos mostra que Paulo e seus cooperadores no Evangelho estiveram em Filipos e lá, pelo espaço de não muitos dias e sob forte perseguição, nasceu uma igreja na casa de Lídia e do carcereiro pelo ministério do Apóstolo (Atos 16:12-40). Além do que, Paulo conhecia muito bem aqueles irmãos e a estrutura da igreja local.

Data

A falta de maior exatidão quanto a data de escrita da carta deve-se a tradição aceita de que Paulo teria escrito aos Filipenses da prisão, sendo esta a declaração mais antiga e aceita (MARTIN, p.49). Que ele estava preso nesse período, não é questionável, pois as várias menções de Paulo as suas “cadeias” está presente na epístola (1:7,13,17) (HALE, p. 208). Considerando que seja esse o contexto em que Paulo escreveu aos Filipenses, a dificuldade de estabelecer uma data depende ainda da cidade em que o Apóstolo estava encarcerado, visto que muitas vezes ele esteve preso. Ainda que não exista unanimidade quanto a cidade da prisão de Paulo, Roma é a melhor sugestão. Um dos argumentos reforçados por Gundry é que “a ‘Guarda Pretoriana’ (vide 1:13) e a ‘casa de César’ (vide 4:22) são declarações que mais provavelmente apontam para Roma” (1998, p.233). A datação aproximada atribuída está entre 50 d.C.e 61 d.C.

Contexto Histórico

Roma era a capital do Império e Filipos uma pequena, mas importante cidade da Macedônia (Atos 16:12). Sua localização era privilegiada e um importante porto comercial havia ali, além de ser rota conhecida de mercadores. A partir de sua segunda viagem missionária (Atos 13), Paulo – pelo Espírito – lançou estrategicamente os fundamentos da igreja em Filipos (Atos 16) com a conversão de Lídia e sua casa, a cura de uma jovem possessa, o carcereiro e também sua casa. A partir de então, o Apóstolo segue pregando o Evangelho pela Ásia e Macedônia, tendo sido preso ao menos três vezes antes de chegar a Roma – primeiro em Filipos, depois Éfeso e Jerusalém. As boas-novas eram espalhadas por toda aquela região, e Paulo já se tornara conhecido de muitos.

Em sua primeira prisão em Roma é possível que ele tivesse em sua companhia Timóteo e Lucas (LIGHTFOOT, p.11) e mais alguns irmãos (Fp.4:21-22) onde esteve preso por 4 ou 5 anos (LIGHTFOOT p.30). Apesar da distância, a igreja já estava bem consolidada conforme se pode ler em Filipenses 1:1. Como em toda parte, também haviam falsos mestres em Filipos. Apesar disso, as motivações pelas quais Paulo pode ter escrito Filipenses parecem estar além das recomendações quanto aos maus obreiros (3:2). E suas palavras parecem mais tencionar fazer-lhes lembrados dos seus ensinos e o progresso na fé do que com reprovações quanto a doutrinas ou comportamentos inconvenientes (CARSON, p.361).

Temas

Em Introdução ao Novo Testamento, Carson e outros apontam que

Muitas cartas paulinas foram escritas pela necessidade de por as coisas em ordem em determinada igreja, seja para se opor a ensinos falsos ou de corrigir uma prática errada. Uma carta escrita a uma igreja que o próprio Paulo fundou e com a qual ele está bastante satisfeito. Ela revela algo da satisfação do Apóstolo quando seus convertidos progridem na fé. Nessa carta, como nas demais, ele de fato se opõe ao ensino falso, embora esse não seja o seu principal objetivo. Enquanto escreve, Paulo faz alguns comentários sobre os oponentes que ele e a Igreja de Filipos enfrentavam, mas na maior parte da carta ele se ocupa de assuntos mais agradáveis (CARSON, 1999, p. 362).

A necessidade de se corresponder com os crentes Filipenses em louvor a Deus e gratidão aos irmãos cooperadores de Paulo no Evangelho constitui um dos principais temas presentes na carta. Seu interesse em estimulá-los a crescer cada vez mais em amor, unidade e boas obras é singular dentre suas cartas. Além de Filipenses ser conhecida como a “carta da alegria”, não obstante o próprio Apóstolo estivesse sob situação adversa. O tema da “imitação” ao Apóstolo (3:17) e a “imitação” a Cristo é de reverente notabilidade (2:5-11).

O envio de Timóteo e as recomendações quanto a seu caráter (2:19-30), bem como o agradecimento, quando em Tessalônica (Fp 4:15, 16) por uma generosa oferta recebida, e ainda por terem lhe enviado Epafrodito em auxílio (2:25 e 4:14-18), são os temas que mais se evidenciam na epístola (CARSON, 362).


Citações e Referências

CARSON, D. A. (Org.); MOO, Douglas J.; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1997.

GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1998.

Hale, Broadus David. Introdução ao estudo do Novo Testamento. Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1983.

HANSEN, G. Walter. The Letter to the Philippians. Pillar New Testament Commentary. Grand Rapids: Eerdmans, 2009.

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento, Filipenses. 1 ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1992.

LIGHTFOOT, J.B. Saint Paul’s Epistle to the Philippians. London: Macmillan & Company, 1913, reprinted, Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1953.

MALICK, David. An Introduction to the Book Of Philippians. 2014. Disponível em: <https://bible.org/article/introduction-book-philippians&gt;. Acesso em: 10 de jun. 2014, às 18h20min.

MARLOWE, Michael D. The Muratorian Fragment. 2012. Disponível em: <http://www.bible-researcher.com/muratorian.html&gt;. Acesso em: 10 de jun. 2014, às 17h56min.

MARTIN, Ralph P. Filipenses, Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Vida Nova, 1985.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s