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Era o apóstolo Paulo megalomaníaco?

Tudo posso naquele que me fortalece, disse Paulo. Era ele um megalomaníaco*?

Será que Paulo estava dizendo que ele podia fazer qualquer coisa, pois agora ele era evangélico? Será que Paulo poderia “determinar”, “exigir” que, tudo cooperasse a favor da sua fé sem fronteiras? Será que Paulo estava dizendo que com o poder e domínio que Cristo exerce, seus servos devem ter uma fé que não vacila para conquistar tudo e todos?

hierarquia1Penso que o texto e o contexto falam por si mesmos. Verso 17 diz: “Não que eu procure o donativo”. Embora tendo em vista que a oferta recebida tenha sido suficiente para satisfazer suas necessidades com abundância; tenha sido de grande auxílio em momento oportuno; o foco de Paulo estava posto sobre a abundante graça de Deus que o gesto dos filipenses evidenciava. Ele explica no restante da frase: “o que realmente me interessa é o fruto que aumente o vosso crédito”. Tão explicitamente ele demonstra sua alegria no Senhor (v.10) por causa dessa oferta, porém não como quem procura viver à custa de outros, ainda que pudesse requerer para si este direito. É importante esclarecer estas coisas porquanto esta alegria que Paulo expressa, inicia no verso 10 e termina no verso 19, constitui o propósito de toda a carta. Ele escreve como agradecimento e satisfação em ver que os crentes buscavam ocasião de servir a um apóstolo do Senhor, mas sobre tudo o crescimento deles em fé e boas obras na cooperação do Evangelho e associação com Paulo em suas tribulações.

É certo que no verso 19 ele diz que Deus irá suprir as necessidades deles, mas em glória, isto é, não como uma recompensa, uma barganha. Mas sim porque são povo da aliança eterna, eles têm comunhão com o Deus fiel, o qual levará a cabo a boa obra que começou neles (1:6). Eles eram cooperadores do Evangelho de Jesus, do qual Paulo foi encarregado. Ele estava alegre pois isto era evidência do fruto de toda bondade presente nos crentes como dom de Deus, por causa da liberalidade que eles desfrutavam com este serviço de assistência.

Assim, Paulo não se importava com a condição de pobreza que poderia viver, mesmo sendo ministro do Evangelho de Jesus, o Rei da glória. Muito pelo contrário, nesta carta da alegria, o apóstolo declara sua dependência inteira sob os pés de Cristo. Só quem reconhece o senhorio de Cristo em sua vida pode compreender e experimentar contentamento em qualquer situação; reconhece a dependência que vem do Pastor e Bispo de nossas almas, pois ainda que eu tenha em abundância, que isto não extravase e me corrompa; ainda que não tenha mais do que o suficiente para sobreviver, não venha a desesperar ou esvaziar-me da suficiência de Deus em mim, cujos cuidados vão além do que os olhos veem.

Só quem aprendeu a experimentar o suprir de Deus em meio a toda e qualquer situação pode realmente dizer ainda que eu passe pelo vale da sombra da morte não temerei mal nenhum, pois o Senhor está comigo. Ele é meu Pastor, não sentirei falta de nada, pois Ele me é tudo. Só quem experimentou fome ou nudez tem a oportunidade de provar da providência de Deus; ou tribulação, perigo, morte ou vida, anjos ou demônios, ou qualquer outra tentação deste mundo jamais pode nos separar do amor de Deus. Cristo me fortalece quando sou humilhado, pois Ele mesmo se humilhou (2:5-8) e sabe o que é ser humilhado.

Paulo aprendeu na prática o quanto importava sofrer por causa do nome de Jesus (Atos 9:16), e que assim importa que se entre no reino: por meio de muita tribulação (Atos 14:22). Essa é a promessa de Jesus em Mateus 5:11-12, que há uma herança nos céus (não na terra) preparada para os que sofrem por ele. Apesar de tudo o que sofrermos nessa terra por Jesus, há da parte do Senhor contentamento em nós por saber que assim é necessário que sejamos aperfeiçoados em tudo, e que apesar da humilhação, não seremos abatidos, pois repousa sobre nós a alegria do Senhor que nos fortalece. Isto é importante, pois Paulo também diz que aprendeu a ser honrado. Só quem aprende a ser humilhado pode também esperar ser honrado. E o melhor: pelo Senhor. Ser exaltado por Deus (2:9) em meio a nossa própria vulnerabilidade é dádiva para reconhecer o poder da ressurreição de Jesus em nós. Por isso, ainda mais quero ser vulnerável, para que ainda mais seja preenchido pelo poder de Deus.

Portanto, Paulo jamais defendeu a exaltação do ego, ou outra posição megalomaníaca evangélica como a de nosso tempo com este verso (13). A única exultação sua foi em fraquezas (2 Co. 12:9-10) para que ele diminuísse cada vez mais e o Cristo fosse mais e mais visto nele; a exaltação de Cristo em nós, e não nós mesmos, ainda que pelo nome de Cristo. Esta é a importância da fraqueza. Esta é a declaração de Paulo sobre sua fraqueza: tudo posso em Cristo que me fortalece.

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* a megalomania é o excesso de orgulho; ambição por coisas grandiosas ou majestosas; mania de grandeza.

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