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Cristãos

…e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos (Atos 11:26c).

O termo ocorre três vezes no Novo Testamento. Há quem concorde que este nome foi dado com uma intenção pejorativa, do mesmo modo que os termos bom-samaritano (da parábola) e puritano posteriormente tomaram uma conotação com ar irônico. É possível pelo fato de esse nome ter sido dado aos discípulos em uma cidade gentílica, a qual ainda estava começando a ter notícia do Evangelho e somente com Justino Mártir (séc.II) foi tomado como um título de honra.

Quando lemos o contexto da passagem vemos que o pano de fundo é a perseguição que se levantou contra os discípulos desde Jerusalém com o apedrejamento de Estêvão: “Aqueles, pois, que foram dispersos pela tribulação suscitada por causa de Estêvão, passaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus” (v.19). E daí se desenvolve a pregação do Evangelho aos gentios a duras penas – muita perseguição e tribulação.

Por outro lado, das três vezes que a palavra ocorre no N.T., duas são em Atos (a outra em 26:28) e uma na carta de Pedro, bem antes de Justino. Por isso, vemos que o sentido vem antes da concepção pejorativa. Em Antioquia a Palavra havia sido bem recebida entre os gentios e o número dos discípulos aumentou consideravelmente, de tal forma que Barnabé fora enviado de Jerusalém para a cidade síria e testificou a graça de Deus no meio daquele povo. Não somente isto, mas Barnabé ainda foi atrás de Paulo, que estava em Tarso e tal foi a recepção que permaneceram por mais um ano ensinando naquela cidade. Assim, os discípulos foram chamados pelos não-judeus de cristãos, o povo de Cristo.

Porém, o que a mim salta mesmo é a identificação entre os seguidores e a Pessoa de Cristo, no que concerne aos sofrimentos daqueles que levavam a mensagem de um Messias rejeitado, humilhado, crucificado e morto, mas ressurreto. Os apóstolos do Senhor todos foram martirizados por causa da mensagem que portavam, assim como o Messias de Israel. O ministério de Jesus primaria e fundamentalmente está ligado ao seu sofrimento, morte e ressurreição. Ele afirmou isto muitas vezes aos discípulos, conforme o que está nas Escrituras.

Pedro diz: Que nenhum de vós, entretanto, padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus neste nome (1 Pedro 4:15-16). Por isso não podemos quebrar o link que há entre Jesus e seus seguidores, pois todo aquele que segue a Cristo haverá de ser perseguido (Mateus 5:10 e 2 Timóteo 3:12), como o Mestre já os havia prevenido. Há uma assimilação direta entre eles. E creio que assim viram aqueles que chamaram os discípulos de cristão em Antioquia.

Aplicação pessoal

Então devemos nos perguntar: Estamos tomando de fato nossa cruz dia a dia e seguindo a Jesus? Temos mesmo ofertado tudo do melhor em detrimento próprio? Temos sofrido por isso? Como tem sido Cristo formado em nós se não seguimos os Seus passos? Como seremos aperfeiçoados se não formos lapidados? Será que temos sido conhecidos como cristãos que realmente negam a si mesmos e buscam a glória de Cristo por mais doloroso e louco que isso pareça? Ou será que, como o fazem alguns, carregam um crucifixo no peito ou algum outro símbolo que ao olharem logo dirão: É cristão? Quão profundas tem sido de fato as marcas da cruz em nossas vidas? Os seguidores da besta também possuirão uma marca que os identificará facilmente por suas atitudes e suas motivações. O que nos diferencia deles?

Sabemos que a marca do cristão hoje é riqueza, fama, grandeza, status, reconhecimento, vanglória, uma saúde inabalável, perfeição física, gostos, excentricidades, etc., menos a marca da cruz em suas vidas. Isto em todos os aspectos. Onde está a busca por coisas pequenas e sem reconhecimento para que Cristo possa ser contemplado em nós? O que sucedeu com: “Saiamos, pois, a Ele fora do arraial, levando o seu opróbrio” (Hebreus 13:13)? E com:

Ora, nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo, visando o que é bom para edificação. Porque também Cristo não se agradou a si mesmo, mas como está escrito: Sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam (Romanos 15:1-3).

É assim que tem sido o nosso proceder? Porque este é o padrão de Cristo!

‘A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza’. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte (2 Coríntios 12:9).

Podemos dizer como Paulo que aprendeu e disse que seu prazer estava em sua fraqueza, para que Cristo fosse evidenciado em sua vida? Se a resposta é não, não temos vivido assim,temos negado a Cristo em nossas vidas. Ou será que temos agido com forma de piedade e negando, entretanto o poder? Se a resposta for sim, temos professado uma coisa para os homens, mas temos vivido outra diametralmente anticristã. Isso não nos justificará, pelo contrário, só nos trará sofrimentos como de quem vive de aparências. Jesus protestou fortemente contra os fariseus e escribas por agirem assim, mas não com o intuito de condená-los, se não de conduzi-los a sensatez.

Resta-nos refletir se temos andado como pequenos cristos, que honram este nome por meio do sofrimento pela obediência, ou se como hipócritas que assumem um papel para se justificar diante dos homens e vivem uma vida regalada cheia das falsas glórias deste mundo, fazendo dele mesmo um placebo do Céu com efeitos colaterais eternos; E que Deus nos dê arrependimento para retornarmos à sensatez da loucura do Evangelho de Cristo para a glória de Deus, nEle proposta para nós, porquanto nos foi concedida a graça não somente de crer em Cristo, mas de sofrer por Ele (Fp. 1:29) e fazer jus a esse Nome.

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