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A língua do mestre

Tiago 3:1-18

Esse texto imediatamente nos chama atenção para aquilo que, evidentemente enfatiza: a língua. No entanto, se observarmos mais atentos, a exortação que o apóstolo faz sobre os cuidados que devemos ter não apenas com o falar irrefletidamente, repousa sobre os que querem ser mestres, pois estes a todo instante estão sob juízo muito maior que os demais. Terão que dar contas de tudo que ensinarem a outros, quer seja intencionalmente quer não. A repreensão é para os que buscam proeminência de sábios como mestres, mas entendem e agem de forma errônea e contra a verdadeira sabedoria. Dessa forma, Tiago passa a expor o por quê ser mestre incorre em uma responsabilidade que, se não for pela graça e condução de Deus e de seu Espírito, pode ser algo muito perigoso tanto para o tal quanto para os seus ouvintes.

Todos erramos em muitas coisas e todos, vez ou outra falamos precipitadamente. Isso não seria algo tão alarmante se não fossemos mestres. Mas aquele que quiser ser mestre deve saber reter a própria língua. Provérbios 10:19 diz que no muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente. A prudência deve preceder qualquer atitude ou palavra que venha a ser proferida, uma vez que ela não tornará e sabendo que muitos estão sob nossa tutela de ensino.

É muito claro que toda palavra provém de uma intenção que parte do interior, do íntimo, seja boa ou má. Diante disso, Tiago usa uma série de ilustrações (comparações) a respeito da língua. Assim como o corpo inteiro do cavalo é dirigido pelo freio posto em sua boca e um grande navio é também dirigido por um pequeno dispositivo, a língua pode levar o seu dono e muitos à ruína, o corpo todo pode ser mal conduzido por causa de uma pretensão arrogante.

A língua exerce um poder decisivo na vida das pessoas. Muito depende daquele que a usa, pois assim como alguém que ignora os efeitos que uma pequena faísca pode exercer sobre uma floresta, também aquele que tem em seu encargo o ser mestre deverá reconhecer os danos do falar desenfreado, o qual pode ser como uma grande chama. Em apenas uma frase má empregada ou dita no calor do momento – uma carreira inteira, que levou anos para ser construída, pode ser consumida em minutos. A responsabilidade é muito grande, na prudência e disciplina da sabedoria do alto podemos ter bom êxito na influência positiva sobre outros. Um mundo de injustiça é a língua. Um mundo aparte da vontade de Deus gera confusão e está constantemente em contato com os inflamados dardos do inferno.

O homem possui a capacidade de domar toda espécie de animais selvagens, porém a língua que é uma parte do nosso corpo não pode ser domada senão pela graça de Deus. A serpente carrega veneno em sua boca, no entanto o dano que sua peçonha causa é senão aos que dela são alvo. Portanto, mestres que não retém a língua são como víboras mortíferas e sua incoerência se torna evidente por causa do caráter caluniador que assume. O homem de Deus deve ser de uma só palavra para que não caia em incoerências. A boca que louva e bendiz a Deus deve ser a mesma que é respeitosa no trato com os homens, os quais são feitos à imagem de Deus.

As disputas em torno de uma posição de mestre podem gerar incongruências, sentimento faccioso, invejas. Isto só evidencia que a busca por proeminência destes sobre os demais irmãos é motivado por inclinações demoníacas e carnais. Há impureza, contenda, rebeldia, parcialidade e fingimento por trás desse tipo de motivação e atitude. E o pior é que esses embates são para galgar um lugar por meio de desprezo àqueles que são tidos como menos entendidos, causando divisões.

Mestres que se impõem desse modo e ainda chamam a si mesmos de sábios, arrogantemente se acham dignas desse status, cuja característica é o seu falar desenfreado, insensato e destrutivo. Tiago diz que isto é um ataque também contra verdade, pois esse tipo de agir perverso de tais mestres é por eles chamado de sabedoria. Mais uma vez, o apóstolo desmistifica essas perturbadoras conclusões. Ele expõe a verdadeira sabedoria que os mestres verdadeiros devem demonstrar como uma dádiva de Deus como meio de pacificação no meio de seu povo.

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