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Oração de um pecador…

Senhor, eu tenho medo… medo de que esta vida tão metrificada e dosada pelas produções da minha mente subjetiva, acabem por me levar em uma direção onde eu possa objetivar além da conta aquilo que jamais pode ser demasiadamente simples e compreensível que não possa fugir ao meu intelecto ou não precise ser explicado. Tenho medo de que as percepções que eu encontro em mim não passem de uma realização daquilo que os homens esperam de mim. Senhor, eu me assusto quando me sinto assim tão senhor daquilo que está em mim, e quando não tenho mais a sensibilidade de aceitar que nem tudo que encontra manifestação neste mundo precisa ser reconhecido, visto, apalpado, ouvido, degustado. Mas que pode encontrar expressão, no entanto não exige necessariamente uma plateia.

Tenho medo de que em determinado momento desta caminhada eu me perca em mim mesmo: nos labirintos da minha própria sede de encontrar saídas para aquilo que não exige de mim a projeção de portas, nem mesmo a busca por uma saída, pois eu já estou do lado de fora. Tenho medo de que, assim como muitos, ainda que num piscar de olhos, eu pense que tenho o conhecimento de Ti confinado na minha própria cabeça, no coração, na alma, pois se algum dia isto viesse a acontecer, então eu saberia que não eras tu, mas qualquer outro deus produzido pelo homem.

É esse medo de ser tão teologicamente correto e contiguamente tão humanamente desumano que não possa reconhecer minhas fraquezas e limitações acerca da Tua revelação; que não possa me gastar naquilo que Te agrada ainda que eu não compreenda. É, em outras palavras, o medo de enveredar pela síndrome do fariseu: tão divinamente correto, hermeticamente inviolável e tão humanamente errado. Porque Tu nos fizeste segundo a Tua imagem, mas seria inconcebível loucura achar que poderia produzir-Te segundo a minha imagem por mais teologizada que venha a ser.

Senhor, eu tenho medo de que eu seja tão eu mesmo que não haja espaço dentro de mim para ser como Tu és e no plano horizontal ser como os outros são: humanos limitados. Tenho compreendido, e peço coragem e força pra me tornar mais vulnerável, do mesmo modo que te tornaste o que não eras a fim de que eu me tornasse como Tu és.

E finalmente, tenho medo de que até os meus medos já não sejam mais como o medo das crianças, que simplesmente reconhecem tão desinteressadamente não possuírem controle sobre o mundo que as cerca, e por isso não os disfarçam sob uma pose intelectual, filosófica ou adulta para apenas saber que buscar um abrigo também faz parte da vida. E que por uma razão que eu não detenha, a vida é a soma desse atrito entre elementos que são desgastantes e outros que são maciços, os quais, estranha e harmoniosamente produzem uma fagulha que, ou pode me queimar por inteiro, ou pode me tornar uma fagulha, uma fagulha apenas. Salva-me de permanecer eu mesmo. Por isso, peço, atende a oração de um pecador que carece de Tua infindável graça.

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