Mensagens

A Bíblia e a Ciência

Não é de hoje que a Palavra de Deus, as Escrituras Sagradas são atacadas quer pelos que professavam um cristianismo duvidoso quer por pagãos. Isso se dá desde, ou mais fortemente, o segundo século. Muito foi intentado a fim de acrescentar, mudar, excluir ou negar das Escrituras. No entanto, o que pretendo é abordar acerca do apelo às Escrituras como fonte de explicação científica para muitas coisas às quais elas não se propõem. Visto muitos cristãos, talvez por influência do racionalismo do século XVI, caírem na tentação de usá-las para tentar comprovar dúvidas ou obscuridades em disputa com a ciência moderna. Passo então a observar apenas alguns que ela não se presta.

As Escrituras como prova da existência de Deus

1+1=DeusEsse é um erro muito corriqueiro, embora alguns achem estranho mencionar isto. “E a Bíblia não prova que Deus existe?” Eu respondo: Não! Eu explico. A Bíblia não se propõe a comprovar a existência de Deus, ela simplesmente dá evidências da ação divina na história de muitas maneiras, mas não se preocupa em apresentar fatos científicos quanto a isso. Deus é espírito, não um ser cujo DNA possa ser rastreado através de partículas ou impressões. Deus é. Ele não se limita às fronteiras da cognoscibilidade humana, Ele a criou e pôs no homem. Deus não pode ser submetido aos métodos científicos modernos e muito menos a Bíblia não pretende dizer: “Viu, Deus existe”.

Muito desse erro também procede de processos racionais do senso comum, tais como: Milagres acontecem: Deus existe; o problema é que a razão lógica por outro lado poderia dizer: Não há milagres, Deus não existe. Nunca foi este o parâmetro das Escrituras para revelar o que de Deus se pode conhecer.

A Bíblia é um livro de fé, não um manual de argumentos a favor desta ou daquela posição científica. Ela é o meio da Revelação de Deus ao homem a fim de que, aquele que se aproxima de Deus pela fé, creia que Ele existe e que o adore em espírito e em verdade. As Escrituras são o nosso aio a Cristo e quando a Ele levados elas nos educam, repreendem, corrigem, instruem na justiça, nos fazer sábios para a salvação pela fé no Filho de Deus.

As Escrituras, a Criação versus a teoria da Evolução.

Outro erro muito comum é tentar usar passagens bíblicas para defender o criacionismo frente ao evolucionismo. Este é provavelmente mais um resquício do período iluminista e do racionalismo quando as Escrituras e a fé foram desafiadas no campo da razão. Mais uma vez, ceder a essa mediocridade é desvalorizar as Escrituras como Revelação de Deus. Isso se dá, no caso da Criação, pelo simples fato de se ignorar princípios muito básicos de interpretação: Contexto histórico do livro de Gênesis, seu autor e os destinatários. Moisés, em pleno deserto não se propôs a descrever a Criação para satisfazer os anseios lógicos de uma elite racionalista. Ele escreveu o que escreveu para instruir um povo escravo por quatrocentos anos, mas que este mesmo povo foi o escolhido por Deus e prometido a seus antepassados Abraão, Isaque e Jacó fazer uma Aliança.

Portanto, Gênesis não se destina a comprovar a Criação em oposição a evolução, este falso dualismo nem existia. Pretende educar um povo que agora já não é mais escravo, porém membros da Aliança e da família de Deus. As evidências de uma continuidade do pacto fiel de Deus com o homem, quebrado no Éden, são ratificados, estendidos agora aos hebreus por meio de uma Lei, um serviço sagrado, um povo santo, um só Deus e um só Senhor.

As Escrituras como Palavra de Deus Revelada e Inspirada

As Escrituras são a Palavra de Deus ao homem, onde reside todo o conhecimento necessário para a salvação. Conhecimento pelo fato de as Escrituras serem a Palavra Revelada e Inspirada de Deus, no sentido de que elas comunicam a mensagem da salvação e ao mesmo tempo asseguram a veracidade daquilo que elas ensinam. Como o princípio do conhecimento condutor à fé e à conversão, contudo, não inerente ou à parte do Espírito de Deus, mas conjuntamente (como os reformadores consideraram) aplicando, convencendo, transformando e regulando a fé e a prática dos pecadores convertidos a Deus. E isto tendo em vista o Verbo de Deus, sem o qual não haveria uma mensagem, nem boas novas, nem salvação, nem mesmo Escrituras, uma vez que elas dão testemunho dEle.

Não se exclui o apelo racional das Escrituras ao homem, porém jamais em um sentido de mero exercício intelectual: não como o objetivo último da revelação. Quero dizer, em termos bem simples, que pressupõe-se o homem ser racional e a Escritura apresenta a Revelação na forma que o homem também possa compreendê-la: a linguagem. É por meio da linguagem que recebemos a revelação, anunciamos a verdade e louvamos a Deus (inclusivamente). O princípio racional do conhecimento não é o fim da Revelação e Inspiração das Escrituras, mas objetiva alvo superior que é o da reconciliação do homem com Deus mediante Jesus Cristo.

A fé, no entanto constitui a base anterior desse conhecer, como Agostinho resumiu: – eu creio para compreender e compreendo para crer melhor. Ela só fará sentido para aquele que pelo Espírito lhe for infundida a preciosidade da Verdade Revelada, Encarnada, pela fé, porquanto as coisas espirituais só podem ser discernidas pelo Espírito no homem espiritual.

De forma que, o Catecismo Maior resume bem o que foi explanado quanto à pergunta: Como podemos saber se as Escrituras são a Palavra de Deus? “[…] O Espírito de Deus, porém, dando testemunho, pelas Escrituras e juntamente com elas, no coração do homem, é o único capaz de nos persuadir plenamente de que elas são a própria Palavra de Deus.” (Pergunta 4).

Termino com uma belíssima citação do livro de Eugene Peterson, A Linguagem de Deus:

Conhecimento da fala, mas não do silêncio;
Conhecimento das palavras, e desconhecimento da Palavra […]
Onde está a Vida que perdemos ao viver?
Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?
Onde está o conhecimento que perdemos na informação?

            De modo que, se nossa maior glória não ecoar o que fora dito por Jeremias, não passará de mera racionalização vazia, especulação teológica nua: “Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor (Jeremias 9:24);” E andar nEle, provando da profunda riqueza da sabedoria e do conhecer de Deus por meio da Palavra Viva, o Filho, que nos tem doado todas as coisas do céu e da terra, em quem somos feitos sábios para a salvação.

__________________________

Consultas recomendadas:

A Confissão de Fé, O Catecismo Maior. Cultura Cristã, 1999.
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. 2. ed. São Paulo: Cultura. Cristã, 2001.  p.563,564.
HODGE, Charles. Teologia Sistemática. Hagnos. São Paulo: Hagnos, 2001. p.116
PETERSON, Eugene H. A Linguagem de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 2011.
STRONG, Augustus H. Teologia Sistemática (vol. I). São Paulo: Hagnos, 2003. P.58,59.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s