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Lendas Urbanas: A Versão do Pregador

Por Trevin Wax

Aqueles de nós que são confiados com a tarefa de expor as Escrituras em uma igreja local devem ter o cuidado de verificar as nossas fontes, ilustrações e histórias. Não importa o quão útil pode ser uma ilustração, ela está desonrando a Deus se for falsa.

Aqui estão uma série de lendas urbanas que se repetem em sermões. Algumas são mais sutis do que outras, aparecendo até mesmo em comentários e trabalhos acadêmicos.

  1. O “fundo da agulha” refere-se a um portão fora de Jerusalém.

“É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”, diz Jesus em Marcos 10:25. Talvez você já tenha ouvido falar do portão em Jerusalém chamado “buraco da agulha”. O camelo só podia passar por ele depois de abaixar-se e ter toda a bagagem retirada.

Camelo agulhaA ilustração é usada em muitos sermões como um exemplo de chegar a Deus de joelhos e sem a nossa bagagem. O único problema é … não há nenhuma evidência de uma tal porta. O relato está por aí desde o século XV, mas não há um fiapo de evidência para apoiá-lo.

  1. O sumo sacerdote amarrava uma corda ao redor de seu tornozelo para que outros pudessem arrastá-lo para fora do Santo dos Santos no caso de Deus fulminá-lo.

Várias versões desta alegação têm sido repetidas por pastores, mas é uma lenda. Tudo começou na Idade Média e continua sendo repetida. Não há nenhuma evidência para a justificação na Bíblia, nos Apócrifos, nos Manuscritos do Mar Morto, Josefo, nos Pseudoepígrafos, no Talmude, Mishná ou qualquer outra fonte. Além disso, a espessura do véu (+ 90 cm) teria excluído a possibilidade de um sacerdote ser arrastado para fora em todo o caso.

  1. Escribas tomavam banhos, descartavam suas penas (canetas), lavavam as mãos, etc. cada vez que escreviam o nome de Deus.

Como uma forma de transmitir a reverência dos escribas judeus e cristãos em relação a Deus, os pregadores gostam de descrever a honra dada ao nome de Deus. Infelizmente, não há evidências de que os escribas faziam esses tipos de rituais cada vez que se deparavam com o nome de Deus.

  1. Havia este dito entre os sábios: “Que vocês sejam cobertos pela poeira de seu rabino”.

Esta é uma das histórias mais sutis e de rápida disseminação para inundar a igreja nos últimos anos. A ideia é que, se você andasse atrás de seu rabi (mestre), ele iria levantar poeira e você iria solidificar-se nele e, assim, seguir de perto seu rabi, veio a simbolizar seu compromisso e zelo. Joel Willitts explica:

Isso é uma coisa poderosa, não é? Bem, o único problema é que simplesmente não é verdade … O contexto no qual foi dado, na Mishná Aboth 1:4 claramente não é o suposto por aqueles que promulgam essa ideia.

  1. A casa de Voltaire é agora propriedade de uma editora da Bíblia.

Voltaire era famoso por dizer, “Daqui a cem anos não haverá uma Bíblia na terra, exceto uma que é contemplada por um investigador de curiosidade antiquária”. Há um mito por aí que no prazo de 50 anos da morte de Voltaire, sua casa foi apropriada por uma sociedade Bíblica que usou a sua própria tipografia para imprimir Bíblias. Parece uma grande história, mas não é verdade. Independentemente disso, a previsão de Voltaire sobre o desaparecimento da Bíblia foi demasiadamente exagerada.

  1. Geena era um depósito de queima de lixo fora de Jerusalém.

Eu usei esta ilustração muitas vezes. Mas não há evidência para apoiar essa opinião. Mesmo assim, porque parece uma explicação razoável para a origem do Vale de Hinom como “inferno”, comentaristas e pregadores tem-na aceitado. É possível que não haja veredicto quanto a esta, mas não se Todd Bolen estiver certo:

“A explicação para o ‘fogo do inferno’ não reside em um depósito de lixo em chamas, mas na queima de crianças sacrificadas. Já nos tempos do Antigo Testamento, o Vale de Hinom foi associado com o destino dos ímpios. Que ao vale estava fora da cidade de Jerusalém, se tornou um símbolo apropriado para os excluídos da bênção divina”.

  1. Os cientistas da NASA descobriram um “dia perdido” que corresponde o cálculo de Josué do sol ficar parado.

Por favor não repita esse mito. Não houve nenhum “dia perdido” descoberto, e a lenda tem circulado mais tempo do que a NASA tem de existência, com diferentes cientistas desempenhando o papel.

Quais são algumas outras lendas urbanas que devemos evitar como pastores?

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Tradução por Leno Santana. Originalmente publicado no The Gospel Coalition.

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