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Entre o joio e o trigo

O Evangelho, enquanto de um lado corta operando a circuncisão no coração do que crê em Jesus, de outro endurece o coração do que não crê em Jesus para a salvação.

Parece algo muito objetivo, distinto, de fácil observação quando usamos o padrão errado de julgamento. Geralmente, a constatação é simplória e reducionista: quem está na igreja, o que corresponde na cabeça da maioria, o participar de mais reuniões e programações é o que crê. É o que está salvo. Quem não está no grupo, que não segue os ritos está automaticamente fora. Pode ser até não intencional, porém é real.

Mas Jesus nunca disse para criarmos programações e muito menos que isso iria servir como padrão de julgamento soteriológico. Pelo contrário. Ele disse que o joio cresceria em meio ao trigo até o último dia, o dia da ceifa. Neste dia os ceifeiros angelicais serão os responsáveis pelo trabalho de separar o joio do trigo, queimar a palha e guardar o trigo.

Jesus é quem no último dia separará os bodes das ovelhas. Nosso trabalho é apenas crer e viver pela fé no Filho de Deus. Esse é o elo da comunhão das ovelhas, que as une em único rebanho sob um único Pastor.

Contudo, Jesus também disse que haveria um sinal que evidenciaria aqueles que não creem, os falsos cristos. Pelos frutos eles seriam conhecidos. Eles teriam um fruto discernível, característico. Não posso deixar de acreditar que esse fruto só é discernido pelos que acolheram a palavra do Evangelho. E que justamente a fé no Evangelho de Jesus constitui algo revelador. Somente onde o Evangelho atua é que a natureza do fruto de um e de outro se torna mais clara.

Meu único meio de julgamento se dá pelo Evangelho. É somente por onde Jesus me concede liberdade para julgar, mas em nenhum momento seccionar, separar, condenar. O ministério de Jesus pela igreja é agregador, reconciliador. Muito embora, paralelamente, a divisão inevitável ocorra sob o testemunho dos que professam o nome dele. E eis a questão central onde a superficialidade reducionista se mostra maliciosa e em extremo cosmética. Ela relativiza, subverte, não obstante pareça objetivar, centralizar o padrão. E é assim por que o joio fica em meio ao trigo como se fosse o próprio trigo. Quem olha de longe vê apenas uma seara de trigo, mas no meio há joio.

Outro problema é que constantemente, talvez pelo convívio, o trigo assume certos comportamentos de joio. Isso dificulta a que o trigo reconheça sua essência. Só o Evangelho diferencia a essência de ambos. Esse joio só é discernido olhando de perto. As características dele são outras. Suas propriedades também são outras. Sua função é diferente da do trigo. Ele servirá como palha para o fogo a fim de que o trigo seja preparado para o seu fim próprio, para o bom uso que o trigo tem.

O joio vira alimento para o fogo. O fogo pode machucar o homem. E o trigo vira pão que alimenta o homem. O pão, nas refeições é motivo de ações de graça. Ninguém agradece a Deus pelo fogo, mas pelo pão sim.

Por isso, enquanto pudermos compreender essas coisas conheceremos de fato se temos o coração circuncidado pelo Evangelho: se o professamos e o vivemos. O fruto falará por si mesmo.

De outra feita, há muitos que o professam, e para justificar que o vivem recorrem ao artifício do joio em meio ao trigo. O joio diz: “eu estou entre o trigo e ninguém o sabe”. E assim ele assume superficialmente aparência de trigo, segundo a distinção mencionada no início. Conquanto o joio diga: “sou trigo”, ele apenas o diz por estar em meio ao trigo. Mas seu coração continua duro, incircunciso. Seu fruto é péssimo e ele subversivamente fragmenta a visão da seara e danifica, muitas vezes o bom fruto.

A verdade é que o joio pensa e até afirma ser trigo apenas por que está dentro da seara. Mas o trigo não precisa disso, pois sabe que nele há bom fruto. E não obstante ele também esteja na seara ele é trigo. Quero dizer que, os que são verdadeiro trigo estão na igreja, mas sabem essencialmente serem igreja. O joio está na igreja, mas não é igreja, nem pode ser. O trigo não pode produzir palha. Ele tem que produzir fruto. Essa é sua natureza.

Nossas programações serão como palha se brotarem do meio e não da essência. Serão consumidas e nada restará. E quando forem palha, realmente devem desaparecer, queimar por completo até que o fruto do trigo seja visto.

A essência da igreja é Jesus, o Evangelho assumido nos membros. A missão da igreja, portanto é produzir fruto. E esse fruto em seguida precisa morrer para que dê mais fruto ainda.

Assim, espero ter contribuído para que sua visão de igreja no mundo esteja mais além do nível da aparência, chegue à essência. Que se veja o fundamento como Jesus ensinou a ver. O Evangelho no centro, Jesus nas bases da igreja. A verdade é coluna naquilo que Jesus tem edificado.

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