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Muçulmanos e Cristãos adoram o mesmo Deus?

Um artigo recente do Orange County Register afirmou que Rick Warren, pastor da Igreja Saddleback, está “propondo um conjunto de princípios teológicos que inclui o reconhecimento de que cristãos e muçulmanos adoram o mesmo Deus”. Será que o pastor Warren realmente acredita que cristãos e muçulmanos adoram o “mesmo” Deus? Em uma entrevista postada no blog de Ed Stetzer, Warren diz que a alegação está completamente errada. Além disso, ele acrescenta:

Pergunta: Será que as pessoas de outras religiões adoram o mesmo Deus que os cristãos?

Warren: Claro que não. Os cristãos têm uma visão de Deus que é única. Nós acreditamos que Jesus é Deus! Nós acreditamos que Deus é uma Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Não três deuses separados, mas um só Deus. Nenhuma outra fé acredita que Jesus é Deus. Meu Deus é Jesus. A crença em Deus como uma Trindade é a diferença fundamental entre os cristãos e todos os outros. Há 2,1 bilhões de pessoas que se dizem cristãos… quer católicos, ortodoxos, protestantes, pentecostais ou evangélicos. E todos eles têm a doutrina da Trindade em comum. Hindus, muçulmanos, Testemunhas de Jeová, Ciência Cristã, Unitaristas, e todos os outros não aceitam que Jesus ensinou sobre a Trindade.

Então, para ser claro, Rick Warren não acredita que cristãos e muçulmanos adoram o “mesmo” Deus.

Uma vez que, tanto o islamismo quanto o cristianismo são monoteístas, o que haveria de errado em afirmar que os cristãos e os muçulmanos adoram o “mesmo” Deus?

Há duas razões pelas quais devemos nos abster de concordar com esta afirmação: o respeito pela verdade e o respeito pela liberdade de crença religiosa.

A razão primeira e mais importante, é que o Islã nega uma verdade fundamental necessária quanto a alegação de que ‘os cristãos e os muçulmanos adoram o “mesmo” Deus’ seja verdadeira. Uma das verdades axiomáticas básicas do cristianismo é que Deus é Uno e Trino. Embora esta possa ser uma doutrina difícil de entender, quase todos os cristãos concordam que Jesus não é uma “parte” ou “atributo” de Deus, mas é uma das três pessoas da Trindade. Um cristão não pode falar de “Deus” sem incluir Cristo.

Quando afirmamos que adoramos o “mesmo” Deus estamos basicamente dizendo que os judeus e os muçulmanos adoram a Cristo, mas eles simplesmente não sabem disso. Ao tomar esta posição, ou estamos negando a validade de nossa crença em Cristo ou rejeitando a crença dos muçulmanos de que Jesus não é divino. Em essência, estamos reivindicando tanto que (1) apesar de suas negações em contrário, os muçulmanos reconhecem que Jesus é Deus, ou (2) que é possível conhecer e adorar a Deus e mesmo assim negar que Cristo é Deus.

O que há de errado em afirmar que os muçulmanos alegam que Jesus é Deus, mas que eles não sabem disso?

Como um cristão evangélico, eu tenho um profundo respeito pela liberdade de crença religiosa. Embora possa ser necessário limitar certas ações que seriam praticadas em nome da liberdade religiosa, eu não acredito que estamos justificados em impedir a liberdade de pensamento, especialmente quando se trata da possibilidade de aceitar ou rejeitar Jesus Cristo. Já que o próprio Deus permite que os seres humanos o rejeitem, não podemos fazer menos do que respeitar esse mesmo direito.

A maioria dos muçulmanos são conscientes da pessoa de Jesus Cristo, mas simplesmente rejeitam a afirmação de que ele é Deus. Não obstante eu discorde de sua conclusão, eu confio que eles tenham o que consideram razões justificadas – pelo menos em consonância com a teologia deles – por que eles rejeitam Jesus como Deus. Se usássemos um jogo semântico como “isca e anzol” – alegando que todos nós adoramos o mesmo Deus, mas adicionando um elemento sobre o qual eles discordariam veementemente – nós demonstraríamos um desprezo e desrespeito para com os muçulmanos.

Embora possa ser desrespeitoso, não é mais generoso continuar fazendo a afirmação de que adoramos o “mesmo” Deus?

A liberdade religiosa é uma liberdade divinamente permitida. Como cristãos, é nosso dever falar a verdade em amor e com maturidade lidar com divergências genuínas. A tolerância religiosa não nos obriga a concordar com o conteúdo de outros credos religiosos, mas apenas que demonstremos o respeito devido a outros seres humanos feitos à imagem de Deus. Ao encobrir nossas profundas diferenças teológicas com uma camada de acordo ecumênico politicamente correto, estaremos sendo injustos com os seguidores do Islã.

Qual é a base para dizer que nós não adoramos o “mesmo” Deus?

Para lançar luz sobre por que esta afirmação não pode ser verdadeira, vamos colocar os argumentos muçulmanos e cristãos em sequência lógica. Em primeiro lugar, o argumento muçulmano na forma de um breve silogismo (modus ponens):

  1. {Se P logo Q} Se você acredita que Jesus é o filho unigênito de Deus, então você não acredita no Deus único e verdadeiro {Corão (Sura 112) – “Diz: Ele é Deus, o Primeiro e Único; Deus, o Eterno, o Absoluto, Ele não gerou, nem é gerado, e não há ninguém igual a Ele”}.
  2. {P} Cristãos acreditam que Jesus é o filho unigênito de Deus. (João 3:16)
  3. {Q} Cristãos não acreditam no único Deus verdadeiro.

Em segundo lugar, uma forma estendida e mais detalhada a partir da perspectiva cristã:

  1. P—Os Evangelhos de Mateus e João fazem afirmações precisas sobre o que Jesus disse.
  2. Q—Tudo o que Jesus disse era verdade.
  3. R—Jesus disse que ele é o filho unigênito de Deus. {João 3:16. 1, 2}
  4. S—Jesus disse que você pode conhecer o Pai, se, e somente se você o conhecer primeiro. {João 8:19, Mt. 11:27. 1, 2}
  5. T-> U—Se você negar que Jesus é o filho unigênito de Deus, então você não conhece Jesus. {Modus Ponens, 1, 2, 3}
  6. U-> V—Se você não conhece a Jesus, então você não conhece o Pai. {Modus Ponens, 4}
  7. T-> V—Se você negar que Jesus é o filho unigênito de Deus, então você não conhece o Pai. {Silogismo hipotético, 5, 6}
  8. W—Muçulmanos negam que Jesus é o filho unigênito de Deus. {Corão (Sura 112) – “Diz: Ele é Deus, O Primeiro e o Único; Deus, o Eterno, o Absoluto, Ele não gerou, nem é gerado, e não há ninguém igual a Ele”}
  9. T & W—Você nega que Jesus é o filho unigênito de Deus e os muçulmanos negam que Jesus é o filho unigênito de Deus. {Conjunção, 5, 8}
  10. W-> V—Se os muçulmanos negam que Jesus é o filho unigênito de Deus, então os muçulmanos não conhecem o Pai. {Simplificação, Modus Ponens, 7, 9}

Seu argumento depende da afirmação de que os muçulmanos negam que Jesus é o filho unigênito de Deus. Notoriamente eles estão errados, mas eles não poderiam estar errados e adorar o “Deus de Abraão, Isaac e Jacó”? Afinal, na história sobre Jesus e a mulher samaritana no poço Jesus diz a ela que os samaritanos adoram o que eles não conhecem, mas Ele não diz que é um Deus diferente que eles adoram. Por que não pode o mesmo ser verdadeiro quanto aos muçulmanos?

Existem duas razões que eu penso ser essa uma opção não plausível:

  • O muçulmano não adora o “Deus de Abraão” como os judeus e os cristãos concebem que ele seja. Sua visão de Deus é radicalmente diferente do Senhor. A não ser a afirmação da linhagem de Abraão, sua concepção de Deus é tão radicalmente diferente da nossa que quase não há base para a ideia de que eles estão falando sobre o mesmo Ser.

2) Como a história de Jesus e a mulher samaritana (João 4:1-26) declara “disse-lhe a mulher: ‘Eu sei que vem o Messias (que se chama o Cristo). Quando ele vier, vai nos dizer todas as coisas’. Jesus lhe disse: ‘Eu que falo contigo sou ele’. Os versos 39-42 acrescentam um detalhe chave:

Muitos samaritanos daquela cidade creram nele por causa do seguinte testemunho dado pela mulher: “Ele me disse tudo o que tenho feito.” Assim, quando se aproximaram dele, os samaritanos insistiram em que ficasse com eles, e ele ficou dois dias. E por causa da sua palavra, muitos outros creram. E disseram à mulher: “Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo”.

Quando os samaritanos foram apresentados às reivindicações de Jesus, eles aceitaram-no como “o Salvador do mundo”. Em contraste, os muçulmanos também estão cientes das reivindicações de Jesus e o rejeitam como Messias e Filho de Deus.

Se o seu argumento é válido, então não se aplicaria também aos judeus? Você está dizendo que os judeus não adoram o “mesmo” Deus que os cristãos?

Para responder a esta pergunta, eu vou ceder a meu colega blogueiro do TGC Trevin Wax, cuja visão sobre o assunto eu inteiramente apoio:

Alguns leitores podem afirmar que “Jesus é o Deus de Abraão, Isaac e Jacó”, a fim de eliminar muitos deuses pluralistas. Mas onde isso deixa nossos amigos judeus, uma vez que eles facilmente fariam a mesma afirmação? Você diria: “judeus e cristãos compartilham o mesmo Deus! É apenas sobre Jesus que nós não concordamos”. Ao dizer isso, os cristãos fazem uma deturpação flagrante do Senhor – o Grande Eu Sou.

Deus não é Deus à parte de Jesus. É inútil tentar definir o Deus de Abraão, Isaac e Jacó à parte de Jesus Cristo. Esse é o problema pluralista que assola muitos grupos cristãos hoje. Uma vez que você não pode explicar o Deus da Bíblia sem envolver a Trindade, você jamais pode explicar plenamente como faz algum sentido que “Jesus é Deus”.

Como os cristãos acreditam em um Deus triuno – o Senhor em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, nós realmente comprometemos a divindade de Cristo alegando que o nosso Deus é o mesmo que o de nossos amigos judeus. Como cristãos, nós acreditamos que Jesus é tão importante que você não pode definir a identidade de Deus à parte Dele.

Então, qual é a resposta? O que pode nos ajudar a atravessar algumas das burocracias teológicas e conduzir-nos ao ponto onde podemos mais uma vez fazer uma firme declaração do Evangelho?

Aqui está a afirmação que eu recomendo você mastigue um pouco: DEUS É JESUS. Quando você vê Jesus, você está vendo a Deus, não só porque Jesus é Deus, mas também porque Deus é Jesus. Jesus é Aquele que nos mostra quem é Deus e como Deus é.

Traduzido por Victor San a partir do site:

http://www.thegospelcoalition.org/article/the-faqs-do-muslims-and-christians-worship-the-same-god

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