Estudos Bíblicos

A Certeza do Amor de Deus e Nosso Progresso Espiritual

Hebreus 6:1-12

Contexto: O autor escreve a judeus cristãos que estavam sendo perseguidos pelos judeus da circuncisão, judeus legalistas.

            Essa perseguição estava fazendo com que alguns crentes abandonassem a fé em Jesus para voltar ao judaísmo, e outros, depois de um tempo decorrido haviam estagnado na vida cristã.

            – O autor, então, nesta carta busca persuadi-los acerca da superioridade de Jesus Cristo e que abandonar a fé era um caminho sem volta.

Ele faz comparações ressaltando a superioridade de Jesus sobre:

  1. A Revelação no Antigo Testamento;
  2. Anjos e homens;
  3. Moisés;
  4. O sacerdócio levítico;
  5. Os sacrifícios temporários da antiga Aliança;

Ele faz exortações e advertências com relação à negligência, a lentidão e o abandono da fé.

1º) Ele exorta os que se tornaram “tardios em ouvir” (5:11-14); literalmente os que pararam e ficaram atrasados em relação a vida cristã em vista do tempo decorrido, pois já deveriam ser mestres.

1-3 – “…deixemo-nos levar para o que é perfeito…se Deus permitir”.

            A exortação que a Palavra faz neste capítulo é de que aqueles cristãos pararam nos princípios mais básicos. Eles estavam como que impedindo seu próprio crescimento. Quando, na verdade, o desejo de Deus é de que cresçam. Eles estavam como adultos que se alimentam como bebês.

2º) Ele adverte a respeito da gravidade de alguém abandonar a graça de Deus para trilhar seu próprio caminho. É uma escolha que não tem volta. Vejamos algumas expressões nestes versos em seguida a explicação.

4-6 – “É impossível… caíram…” (apostataram).

            Aqueles que foram:

  1. Iluminados – conheceram a graça de Deus, o Evangelho; tiveram conhecimento da salvação;
  2. Provaram – tiveram acesso aos privilégios que os verdadeiros crentes herdam, puseram os pés, degustaram, sentiram o sabor; pode-se dizer que foram participantes do pão e do vinho na Ceia do Senhor;
  3. Participaram – receberam e exerceram dons que são exclusivos do Espírito Santo, como: profetizar, expelir demônios, fazer milagres tudo em nome de Jesus (Mt. 7:21-23).
  4. Provaram – provaram da bondade de Deus, ouviram a pregação, degustaram da promessa de Deus.

Peixe foraPara a decepção de muitos evangélicos, o autor não está dizendo que verdadeiros cristãos regenerados podem perder a salvação. O contexto fala exatamente o contrário. Os que são da fé estão firmados e devem tomar posse “da esperança” – eles têm a alma “ancorada” nos céus, onde Jesus está – a salvação deles é garantida, segura e firme (vs. 13-20). Mas os que retrocedem uma hora vão se manifestar e cair, se desviar. É facilmente compreendido quando a Escritura explica a Escritura: “Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos” (1 João 2:19 – NVI).

Essas palavras (vs.4-6) ele usa como advertência da gravidade da apostasia.

Alguns exemplos na Escritura: Os israelitas que caíram no deserto, os dez espias incrédulos; Balaão, Hofni e Fineias, Saul; Judas.

            Todos estes conheceram, provaram, participaram das coisas concernentes ao Reino de Deus. Mas rejeitaram, se opuseram a tudo o que tinham recebido, apostataram do amor de Deus. Atribuíram na prática um desprezo pela obra salvífica de Deus. Jesus também deixará ao desprezo aqueles que fizeram muitas coisas em seu nome, mas jamais tiveram parte alguma com ele (Mt. 7:21-23).

A Escritura aqui em Hebreus está afirmando que não resta meio para renová-los, pois isso iria requerer a crucificação e exposição do Filho de Deus à vergonha, novamente. Deus jamais permitiria tal coisa.

Retornar para os ritos e a religião judaica é abandonar a Cristo e a graça e voltar para o velho sistema legalista judaico, que foram ultrapassados, aniquilados pela cruz, superados. Cristo é superior a tudo isso, inclusive à Lei. Deus determinou que a salvação por meio de Cristo fosse um dom gratuito, e nenhuma obra humana jamais seria capaz de merecer coisa alguma (ver Efésios 2:8).

Há ainda muitos cristãos que vivem como se pudessem garantir a própria salvação hoje, perdê-la amanhã, ganhá-la novamente depois de amanhã e assim seguem, esses é que demonstram desconhecer a graça de Deus, pois se baseiam na sua própria justiça, não no dom gratuito de Deus. Demonstram que ainda são extremamente imaturos na fé e que precisam ser fortalecidos na graça.

3º) O autor usa uma ilustração demonstrando que pelo fruto se conhece a planta. Uma terra que depois de ter recebido a semente, fora regada e cultivada, produzindo fruto, recebe bênção de Deus para produzir ainda mais.

            Por outro lado, a terra estéril e sem cultivo do solo não pode gerar outra coisa a não ser espinhos, abrolhos. Um terreno pronto para ser queimado.

Aquilo que o homem semeia isso ele colherá. Aquilo que ele colheu ele apresenta como oferta a Deus. O que oferece a Deus desprezo e incredulidade não espere agradá-lo ou receber sua bênção, senão o próprio mal que semeou. Quanto mais bênção e graça recebe um solo que é cuidado, mais ele produzirá. Porém, quanto mais um solo duro e descuidado recebe os mesmos benefícios, mais espinhos e abrolhos haverão de encobri-lo. Aos que creem quanto mais luz, mais veem, compreendem e crescem nas coisas acerca de Deus. Por outro lado, os incrédulos, quanto mais luz lhe é projetada mais ofuscamento produz e seu caminho é para as trevas.

4º) No entanto, o autor viu o fruto da salvação na vida desses irmãos, e Deus também. Ele confia que isso que disse anteriormente não se aplica a eles, embora assim os tenha advertido.

9-10 – “Quanto a vós… o amor que evidenciastes”

            Eles deram evidência de que são crentes verdadeiros. Como? Pelo labor, pelo amor que demonstraram para com Deus servindo aos santos (irmãos). Ler cap. 10:32-36. Cristãos que deram prova da obra de Deus em suas vidas, mas que precisam prosseguir nisso.

Ele os exorta a progredir, a continuamente gerar fruto que evidencia essa salvação, para que tenham paciência e perseverem até ao fim nesse labor. De modo que o amor é o fruto da salvação [Ler também 1 Coríntios 12-14, qual o diferencial na vida daqueles cristãos para muito além dos dons que eles tinham, se não lhes faltava o amor que Paulo os admoesta a seguir? (cap. 13)]. Pelo amor os discípulos de Jesus são conhecidos. E assim será também no último Dia (Mt. 25:40). Jesus dirá aos que o amaram amando o próximo: “…sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos a mim o fizestes”.

11-12 – “…continue cada um… para que não vos torneis indolentes…”

            O desejo de Deus é que seus filhos continuem mostrando essa mesma disposição até ao fim. Para que não se tornem lentos, preguiçosos, para que não fiquem para trás, pois nós não somos daqueles que retrocedem, dos que abandonam a Cristo e se lançam na perdição. Nós somos dos que creem, avançam e perseveram para a conservação da alma (10:39).

Sua exortação segue: Agora, é preciso que vocês sigam adiante. Não se limitem aos princípios básicos da vida cristã. Deixem que Deus os leve ao que é superior.

Aplicações

  • Cristãos que pararam no meio do caminho. Cristãos que já deveriam ensinar a outros, pelo tempo de igreja que já tem, mas precisam ser ensinados novamente nos elementos mais básicos, no A,B,C.

Tome uma nova postura. Corrija isso. Busque não apenas conhecer mais a Cristo e sua Palavra, como também viva de acordo com o que você tem aprendido. Ponha em prática, exercite-se, para que você desenvolva e não fique estagnado.

  • Pessoas que uma vez estiveram no meio do povo de Deus, mas que por algum motivo ou circunstância saíram, não quiseram mais saber de igreja, quando na verdade sua revolta era contra Deus.

Nenhum de nós sabe quem são os eleitos (graças a Deus!). Nós temos confiança de que todos os que estão entre nós sejam.

Por isso, se você tem vivência com quem aparentemente se desviou, ore. Se ela foi ensinada em tudo o que deveria conhecer para ser salva, ore e ame. Seja paciente. Nós não podemos julgar que todos os que frequentam os cultos, a escola dominical e tudo o mais sejam verdadeiramente salvos só por que fazem isso. Da mesma forma não podemos desesperar achando que se alguém não segue esse mesmo padrão está desviado ou que se perdeu. Cristãos verdadeiros, muito comumente passam por momentos de dúvida acerca de sua própria condição. Nenhuma coisa nem outra garantem a salvação nem a perdição de alguém. Só Deus conhece, nosso dever é amar e orar para que voltem à convivência do povo de Deus. Mas que principalmente se voltem para Cristo e vejam a beleza de sua graça.

  • Deixe que Deus te leve ao que é superior: ao amor prático. Sirva a Deus servindo ao seu próximo com seus bens, sua renda, com exortação, consolação. Pratique isso com quem está perto de você, não há como fazer isso com todos, mas com quem está próximo sim. É necessário que façamos isso, especialmente com os da família da fé, mas sem esquecer dos pobres, dos necessitados, dos enfermos, dos que estão “de fora”.

A salvação é uma obra inteiramente da graça e somente Deus pode salvar o pecador. Deus nos ama, ele nos escolheu graciosamente amar. Tenhamos firme certeza de que Ele mesmo irá nos guardar, aperfeiçoar, firmar e completará a boa obra que começou em nós. Sejamos, então, cada vez mais tomados pela maravilhosa graça!

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