Estudos Bíblicos

Parábola do Rico e Lázaro

Assim como na parábola anterior, ouso chamar esta parábola de ‘a parábola do arrependimento’. Segue um breve guia de estudo.

A Parábola do Rico e Lázaro – Lucas 16:19-31

Contexto:

Os fariseus ridicularizam Jesus pela parábola do administrador infiel e pela aplicação que fez: “Não é possível servir a Deus e ao Dinheiro”.

Jesus já era uma figura pública bem conhecida em todo o território e até mesmo fora dele. Sua aparência sem dúvida não era a de quem vive entre os ricos, mas daquele que anda entre os pobres.

Ele não tinha mais casa, não tinha posses, nem dinheiro. Era sustentado por mulheres piedosas. Seus discípulos haviam abandonado o trabalho. Ou seja, como alguém que não tem posses poderia falar sobre dinheiro?

Esse foi o motivo da zombaria, pois aqueles homens amavam o dinheiro. Mas Jesus, antes de falar sobre riquezas, na verdade falava acerca das coisas do reino. Ele falava de arrependimento e conversão enquanto havia tempo. O administrador infiel se voltou de sua má conduta e agiu generosamente a ponto de ser elogiado pelo patrão. Era uma ilustração sobre arrependimento e conversão, além do correto uso das riquezas.

Então o que Jesus fala dos versos 15-18 é uma ênfase na gravidade da Lei, a qual os fariseus se gloriavam, mas eram acusados de desobedecê-la. Eles pensavam poder achar brechas na Lei através das quais a dureza de coração e a incredulidade deles pudesse ser justificada. Eles mesmos se justificavam diante dos homens.

Jesus diz que nem a menor letra ou acento da Lei será revogada. Então ele traz algo sobre divórcio e novo casamento que na época era bem corriqueiro, principalmente entre os religiosos.

Todos eles tinham consciência disso, mas preferiam a glória que vem dos homens. No fundo, eles sabiam que pela Lei vem o conhecimento do pecado, e eles eram acusados dia e noite, mas se tornaram cauterizados na consciência por desprezar a Palavra de Deus.

Além disso, há um censo de urgência na mensagem do Evangelho. Foi assim que Jesus iniciou sua pregação, dizendo: “o tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc. 1:15).

Tinha a ver com a presença do reino e a maneira como os homens estavam se comportando diante dessa mensagem. Tinha a ver com a pessoa de Jesus e com a avareza dos fariseus. Jesus ilustra que a avareza conduz pecadores não arrependidos a um estado imutável depois da morte e do juízo.

A Parábola ilustra algumas verdades:

  1. O modo como cada um vive na terra (19-21);
  2. O destino de cada um após a morte (22-23);
  3. Flagra-se a consciência do rico sobre o que é misericórdia, ele deu inclusive diretrizes a Abraão (24);
  4. A lei da retribuição, segundo os próprios fariseus seria justa (25);
  5. A condição eterna é permanente, imutável e irrevogável (26);
  6. O rico possuía consciência da necessidade de arrependimento diante do testemunho da retribuição divina e da condição eterna (27-28);
  7. Abraão responde que essa oportunidade e testemunho são dados na terra pela Palavra de Deus (29);
  8. O rico pede por um sinal sobrenatural que dê esse testemunho (30);
  9. Abraão afirma que o testemunho mais alto e final é a Palavra de Deus (31).

Conclusão:

A Escritura dá testemunho da verdade sobre o destino eterno das pessoas. Ela também dá testemunho acerca da salvação. A parábola traz algumas concepções sobre isso:

– Ambos os personagens mencionados na parábola são demonstrados por Jesus como sendo filhos de Abraão, isto é, como descendentes de Abraão. Mas nenhum deles será justificado com base nessa prerrogativa.

– Além de bênçãos temporais, as riquezas também não são evidência do favor divino para a salvação como se supunha pela sociedade judaica da época.

– A parábola também nos alerta sobre o perigo das riquezas, que elas podem cegar e criar um abismo entre as pessoas neste mundo.

– Também não estabelece que o ser pobre é requisito para receber a salvação.

– Nenhum sinal miraculoso será suficiente a menos que se atente para a Escritura.

– O conhecimento da Escritura também não foi suficiente, visto que não foi acompanhado de arrependimento e fé.

1º- Se as pessoas não se arrependem e se voltam de uma vida de amor ao dinheiro e auto justificação para Deus, jamais se voltarão para obedecer à Palavra de Deus;

2º- Se as pessoas desprezam o testemunho que o Evangelho dá acerca do destino eterno daqueles que morrem, dificilmente crerão na ressurreição de alguém, inclusive a de Jesus;

3º- Não haverá segunda oportunidade, com a intervenção da morte vem o juízo. E ele está mais perto do que os homens imaginam. A mensagem do Evangelho vem sempre antecipada de um prepare-se!

Arrependimento é a tônica da parábola. Sem arrependimento não há possibilidade de abertura sincera para o ensino da Escritura. Não há abertura para reconhecer a necessidade de salvação, nem da dependência de Deus ou mesmo do amor ao próximo da maneira que Deus requer de nós.

Termino citando Simom Kistemaker que resume bem a compreensão desse texto: “Na parábola soa uma nota de urgência para o homem que sábia e obedientemente atenta para a Palavra de Deus. Ela o chama ao arrependimento e à fé; diz-lhe que ele está vivendo no período da graça; instrui-o a deixar de lado a auto justificação; e fá-lo lembrar que o destino do homem é irrevogavelmente selado no momento da morte” (As Parábolas de Jesus, p.266).

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