Traduções

Um Cristão Introvertido

Quem imaginaria que a introversão se tornaria um assunto tão popular? Quem poderia imaginar que levaria até mesmo um livro para a lista de bestsellers do New York Times em Silêncio: O Poder dos Introvertidos em um Mundo que Não Para de Falar de Susan Cain? Seu livro trouxe aos olhos do público um tipo de personalidade que é comum e mal compreendido. Embora eu não possa concordar com tudo o que ela escreveu, eu estava contente em vê-la tornar acessível o que se tornou uma conversa fascinante.

Não há dúvida de que eu sou um introvertido. Se colocarmos introversão e extroversão em lados opostos de uma linha e dissermos que cada um de nós cai em algum lugar entre os dois extremos, eu estaria muito longe do centro do lado introvertido da escala. Eu não estaria tão longe quanto algumas pessoas, e ainda aprecio alguma exposição a multidões, mas no coração eu ganho energia e perspectiva na solidão e, em seguida, gasto-a em uma multidão. Minha reação padrão para uma multidão é fugir para encontrar um lugar de silêncio. Eu amo e aprecio pessoas, mas faço melhor com grupos pequenos do que grandes. Mesmo após vários anos falando em público, ainda leva muito esforço e abnegação ficar na frente de uma multidão. Eu ando para a frente de uma sala lentamente e, quando termino, volto correndo.

O livro Silêncio me permitiu entender melhor a mim mesmo. Em alguns aspectos Cain me apresentou a mim. Eu tinha todos os tipos daqueles momentos “Aha!” onde as coisas que eu tenho pensado a muito tempo ou senti, de repente fizeram sentido. Foi refrescante. No entanto, enquanto prosseguia através do livro, eu o achei fazendo algo inesperado lá dentro. Comecei a sentir uma espécie de paz com minha introversão que pode ter ido um pouco longe demais. Até mesmo Aileen percebeu isso em mim e colocou em evidência. Ela notou que eu comecei a me sentir justificado em fugir de multidões e estar sozinho. Ela disse que eu estava tornando-me egoísta.

Creio que Deus me fez introvertido. É evidente que alguns de nós são naturalmente mais dados, enquanto outros são naturalmente inclinados a serem quietos. Eu sou naturalmente calmo e isso faz parte do bom projeto de Deus. Nenhum dos dois é inerentemente errado e nenhum deles é intrinsecamente melhor do que o outro. Mas o que Cain não reconhece, escrevendo como ela escreve a partir de uma perspectiva secular, é que habitamos em um mundo de pecado onde qualquer característica ou qualidade pode ser usada para fins de glorificar a Deus ou para fins de autoglorificação. Não só isso, mas Deus nos chama para estarmos sempre dispostos a negar nossos desejos, a fim de servir aos outros. Ambos introvertidos e extrovertidos vão enfrentar tentações específicas para pecar. Minha tentação como introvertido é fugir das pessoas em vez de servir às pessoas. É ser egoísta em vez de ceder.

A vida cristã é uma vida de renúncia. É uma vida de dizer: “Embora isso possa ser o que eu quero, o dever me obriga a fazer algo diferente.” Muitas vezes nego meus próprios desejos a fim de servir aos outros. Mesmo o desejo de ficar sozinho. David Powlison diz muito bem:

A vida cristã é um grande paradoxo. Aqueles que morrem para si mesmos, se encontram. Aqueles que morrem para os seus desejos receberão muitas vezes mais nesta era, e, no porvir, a vida eterna (Lucas 18:29-30). Elas vão encontrar novas paixões pelas quais vale a pena viver e morrer. Se eu aspiro por felicidade, vou receber miséria. Se almejo ser amado, receberei rejeição. Se anseio significância, vou receber nulidade. Se anseio controle, vou receber o caos. Se eu almejo reputação, receberei humilhação. Mas se eu anseio por Deus por Sua sabedoria e misericórdia, vou receber Deus, sabedoria e misericórdia. Ao longo do caminho, cedo ou tarde, também receberei felicidade, amor, expressão, ordem e glória.

Não tenho o direito de aspirar solidão introvertida. Em vez disso, o Evangelho me obriga a negar até mesmo esse traço e todos os seus desejos a fim de servir a outras pessoas. Eu sou introvertido, mas isso não me dá um chamado diferente na vida que os cristãos sociáveis.

O que eu tive de enfrentar como em Silêncio é que introversão é o que eu sou, não quem eu sou. E é aí que a discussão sobre introversão e extroversão muitas vezes parece dar errado. Elevamos demais estes traços e os usamos para justificar o egoísmo em vez de altruísmo. Eu tenho que ser brando ao me definir em categorias a-bíblicas. Isso não quer dizer que é errado dizer que eu sou um introvertido, mas que esta é uma distinção que a Bíblia não faz. Sendo este o caso, eu não quero deixar que a introversão me defina ou dite meu comportamento. Introversão é uma descrição útil, mas uma definição pobre.

Traduzido por Leno Santana a partir do site: http://www.challies.com

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