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O Veneno que Destrói a Alegria e a Voluntariedade

Salmo 51:12

“Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário”.

Dos pastos para o palácio. De um pequeno homem do campo, a um guerreiro que derrubou o gigante Golias. Essa foi a trajetória marcante do ruivinho de Jessé.

Todavia, conforme vamos lendo a história de Davi vemos que sua vida não foi um mar de rosas. Na verdade, grandes tribulações e angústia experimentou para que sua fé fosse provada. E um dos aspectos em que Davi fora muito provado foi na maneira de lidar com o pecado a curto, a médio e a longo prazo.

No Salmo 51 lemos a forma como Davi lidou com a confrontação de seu pecado (no caso de Urias e Bate-Seba, depois que o Senhor enviou o profeta Natã). Especificamente vemos duas consequências que machucaram seu coração e influenciaram em sua vida devocional e prática.

1- O Desânimo Gerado pela Culpa do Pecado

A consciência do pecado quando dura além do que convém pode se tornar em culpa e desânimo, mesmo sabendo que Deus perdoou tal pecado (como era o caso de Davi).

Essa é, sem dúvida, uma marca muito forte deixada pelo pecado. Ele inflama a consciência, humilha e rouba a alegria e a dignidade dos filhos de Deus. O senso de falha é agonizante. Pois sempre que pecamos, julgamos ter um motivo para permanecermos abatidos.

Condicionamos, assim, nossa alegria: enquanto “não pecamos”, está tudo bem; quando caímos em alguma falta, entristecemo-nos por haver falhado. De certa forma, há sinceridade nisso. Mas esse embotamento dos sentidos faz com que o reconhecimento da graça se torne falho.

Involuntariamente pensamos ser a salvação e a restituição da nossa saúde espiritual dependente de nossos atos. Mas a verdade da Escritura expressa que aquele que começou a boa obra em nós irá completá-la (Filipenses 1:6). E que é Ele quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua boa vontade (Filipenses 2:13).

2- Apatia e Mero Senso de Dever

O desdobramento desse desânimo pode ser medido pela maneira como passamos a viver nossa vida com Deus. O senso de dever substitui a voluntariedade por causa da apatia gerada pelo desânimo.

Quando estamos tristes, dificilmente encontramos motivação para fazer alguma coisa, a não ser se envolver com uma disposição crescente de isolamento.

Nós nos fechamos e servir ao Senhor se torna algo pesaroso por acharmo-nos indignos e o resultado disso é a negligência e o espírito de dever. Os privilégios acabam virando o monstro da obrigação. Isso é, certamente, preocupante, mas não irreversível.

Davi se sentia inerte diante da situação de seu coração. Pois mudá-lo era seu querer, porém não o efetuar. Somente Deus pode mudar o coração. Por isso ele ora e pede que Deus mude sua disposição interior (v.12), para que consequentemente suas obras se tornassem retas novamente (v. 13-17).

Se deixar levar pelo formalismo e pelo ativismo não era a solução. O rei de Israel sem dúvida possuía bens em abundância e certamente muitos bois e ovelhas. Ele poderia simplesmente oferecer milhares de bois e ovelhas para apaziguar sua consciência diante de Deus, ou para si mesmo.

Mas ele sabia que isso não agradaria a Deus (v.16). Ainda que estivesse cumprindo os preceitos divinos, ele estaria distante da essência neles contida.

O antídoto

Assim como o veneno de uma serpente contamina e paralisa sua vítima a fim de devorá-la, assim o pecado e o desânimo podem afetar a vida cristã com o intuito de nos tragar. É preciso reconhecer que o único antídoto eficaz para a culpa e o desânimo causado pelo pecado é a graça que é encontrada através da súplica.

Como o restante do Salmo atesta, Davi esperava do Senhor a renovação da sua consciência e da sua vida como seguidor de Deus. Aquilo que o pecado envenena e destrói, somente Deus pode purificar e vivificar.

Claramente suas faltas o fizeram estagnar, mas sua oração apresenta sua súplica pela constante presença do Espírito (v.11), pelo reparo do coração (v.12) pela restauração da vida piedosa como um todo (v.13) e pela adoração sincera segundo a vontade de Deus (v.14-15).

Seu pedido expressa, portanto:

a) A convicção de que Deus pode restabelecer a alegria e o espírito de adorador, que é um coração contrito. Sua restauração completa deveria começar no coração e na consciência. No âmago de uma vida obediente reside um coração emendado, sarado pela graça.

b) A necessidade de ter uma vida pura e reta para anunciar Aquele que é puro e reto.

c) Estar consciente de que a hipocrisia seria algo que desagradaria a Deus. De nada valerá mudar nossos atos se Deus não mudar nosso coração.

É possível, em nossa condição afetada pelo pecado, imaginar dois caminhos que conduzem a um mesmo fim. No entanto, faz toda diferença qual caminho seguimos, pois o fim é garantia exclusiva de Deus. Mas o Senhor está sempre conosco todos os dias (Mt. 28:20). Ele não está tão interessado que cheguemos de qualquer modo ao fim, mas sobretudo como viveremos nosso percurso e se de fato atentaremos para o que realmente lhe agrada.

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