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Abel: A Fé Que Ainda Fala

Mesmo sem haver o registro de uma única palavra de Abel, a Escritura afirma que ele fala (Hb. 11:4), e seu sangue também fala (Hb. 12:24). Como pode ser isso?

O texto que segue é de um sermão pregado em 3 de janeiro de 2016 em Manaus.

Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala (Hebreus 11:1,4).

Pela fé, Abel ofereceu sacrifício superior ao de Caim

Abel e Caim, certamente ouviram de seus pais, Adão e Eva, que Deus havia prometido o descendente que pisaria a cabeça da serpente, e que esse mesmo descendente vitorioso, ainda que ferido, abriria o caminho de volta à árvore da vida.

A sua oferta refletia exatamente isso: o sangue de outro será derramado, pois sem derramamento de sangue não há remissão de pecados. Abel, prefigurando o sacrifício do descendente prometido, derramou o sangue de uma vítima inocente e ofereceu como oferta a Deus, e foi aceito.

Abel sabia que somente a graça de Deus o tornaria aceito. Seu sacrifício evidenciava sua convicção de que, a única maneira de voltar ao paraíso, de ter acesso à árvore da vida onde os querubins guardavam a entrada, era caindo à espada. Os querubins guardavam o lugar e o Senhor pôs uma espada para que nenhum homem passasse (Gn. 3:22-24). Isso quer dizer que todos os homens foram impedidos de ter acesso à árvore da vida e à presença gloriosa de Deus. A partir de Adão, todos foram separados da vida. Separados de Deus. Destituídos da glória de Deus.

Mas a promessa de Deus era de que outro seria providenciado em seu lugar: o descendente prometido. A oferta de Abel foi superior por que ela como que antecipava o sacrifício do descendente prometido.

Pela fé foi reconhecido como justo

Agora, veja que a fé veio antes da obra. O texto em Gênesis diz que Deus se agradou de Abel e de sua oferta. Como que Abel agradou a Deus? Pela fé. Por esse dom de Deus Abel teve seu coração purificado e lavado no sangue do Cordeiro, o qual ele apenas contemplou de longe, mas suas obras evidenciaram tal fé.

Abel tinha certeza do que esperava, tinha convicção daquilo que não tinha visto.

Ele mesmo se tornou um tipo do descendente, tendo sido morto por causa da sua fé e obediência a Palavra de Deus. Foi morto por ser obediente a Deus. E Deus testemunhou a fé de Abel, porquanto por sua graça o fez justo. Foi por esse reconhecimento de que a salvação da sua alma se daria pela graça é que Abel foi declarado justo por Deus. E não propriamente pelo que ele fez.

A própria fé e oferta de Abel foram o testemunho de Deus de que sem fé é impossível agradar a Deus.

Pela fé, embora morto, ainda fala

Seu nome significa sopro, vaidade, vapor. E tão rapidamente Abel subiu da terra, foi morto, desapareceu de entre os viventes. Mas o seu testemunho de fé falou a todos os homens que viriam depois dele. Falou que as promessas de Deus reservam coisas excelentes a se esperar e que se tornariam fatos, embora naquele momento ainda não fossem visíveis ao olho.

É exatamente isso o que a fé de Abel fala. Ela fala de coisas superiores aos infortúnios desta vida. Mesmo depois de morto sua fé fala coisas superiores à própria morte. Pois a Palavra da fé diz: Se vivemos, para o Senhor vivemos; e se morremos, para o Senhor morremos; assim, quer vivamos, quer morramos, somos do Senhor (Rm. 14:8).

Jesus Cristo, o Justo também foi morto por ter obedecido ao Pai. O sangue de Abel clama por vingança e maldição (Gn. 4:10,11). Porém o sangue de Jesus fala coisas superiores ao de Abel (Hb. 12:24), por que não clama por vingança e maldição, mas por reconciliação, paz, bênção, justificação, liberdade. Era isso que a fé de Abel e sua oferta gritavam quanto aquilo que ele esperava, embora não visse. Outro seria morto em seu lugar – era essa sua convicção, e isso foi imputado a ele como justiça por Deus. Sua fé, afinal, falava da graça prometida.

Implicações

1º – Abel recebeu pouca revelação, mas creu. E Deus o purificou graciosamente por meio da fé e da obediência.  E se a Escritura dá o testemunho de uma fé salvadora como essa, qualquer outra fé que não essa, é enganosa, falsa, controversa, manipuladora, escravizante. Pois há um só meio de salvação, como diz Paulo e apenas um Mediador entre Deus e os homens, e o próprio Jesus afirmou ser ele o Caminho, não “um” caminho. Se você tem qualquer outra fé que não essa testemunhada na Escritura, livre-se dela, ou ela se livrará de você.

2º – Nenhuma boa obra procede do homem, a não ser aquela que procede de um justo, de uma pessoa justificada. Nenhuma obra humana agrada a Deus senão apenas a que é feita pela fé no Filho de Deus.

Você é justificado? Como você tem oferecido a Deus o seu culto? Não o culto formal, mas o culto no coração, no interior onde essa fé deve ser alimentada e gerar fruto de obediência. Onde, embora os lábios em momentos possam estar cerrados, a alma transborda de esperança e redenção.

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2 comentários em “Abel: A Fé Que Ainda Fala

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