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9 Fatos que Você Deveria Saber Sobre a Revolução Cultural da China

Este mês marca o 50º aniversário da Revolução Cultural da China. Aqui estão nove coisas que você deveria saber sobre um dos momentos mais sombrios da história humana moderna:

  1. A Revolução Cultural — oficialmente conhecida como a Grande Revolução Cultural Proletária — foi um movimento social e político na China que tentou erradicar todos os vestígios de elementos culturais tradicionais e substituí-los pelo pensamento de Mao Zedong (ou maoísmo), uma forma de teoria política marxista baseada nos ensinamentos do líder político chinês Mao Zedong, o chinês comunista revolucionário e fundador da República Popular da China.
  2. Mao Zedong governou como presidente do Partido Comunista da China desde a sua criação em 1949 até sua morte em 1976. Em 1958, Mao lançou uma campanha econômica e social chamada o Grande Salto, que se destinava a transformar rapidamente o país agrário a em uma nação socialista industrializada. As tentativas para coletivizar a agricultura levaram à escassez de alimentos e a maior fome na história. Durante o período de três anos de 1959 a 1961, entre 15 e 45 milhões de chineses morreram. Devido a esse fracasso político, a influência de Mao no Partido Comunista começou a minguar. Ele lançou a Revolução Cultural, em maio de 1966, em parte para reafirmar seu poder e prestígio dentro do partido e do país.
  3. O início da Revolução Cultural está marcado para 16 de maio de 1966, quando Mao emitiu um documento que incluía “denúncias” contra seus adversários políticos. No que se tornou conhecido como a “notificação de 16 de maio” Mao afirmou: “Esses representantes da burguesia que se infiltraram no partido, o governo, o exército, e vários círculos culturais são um bando de revisionistas contrarrevolucionários”. Embora Mao tenha revelado sua intenção em maio, foi só em agosto que o Partido Comunista emitiu a “Decisão sobre a Grande Revolução Cultural Proletária”, que delineou as metas do presidente. As duas instituições primárias que Mao queria eliminar eram educação e religião, as principais ameaças para o Pensamento de Mao Zedong.
  4. No verão de 1966, grupos de estudantes — do ensino médio a universidade — começaram a dar forma a unidades paramilitares violentas. Mao, que acreditava ser a violência um sinal de um verdadeiro revolucionário, patrocinou os estudantes radicais. Ele ordenou que as escolas do país fossem fechadas e encorajou esses estudantes — conhecidos como Guardas Vermelhos — a se dedicarem à atividade revolucionária. Grande parte dessa atividade incluía a violência contra os idosos, professores e outras figuras de autoridade tradicionais.
  5. Mao e seus aliados realizaram diversos comícios onde compareceram milhões de crianças e adolescentes que se identificavam como Guardas Vermelhos. Num comício em agosto para os Guardas Vermelhos, os estudantes foram orientados a atacar os “Quatro Velhos” da sociedade chinesa (os velhos costumes, a velha cultura, os velhos hábitos e as velhas ideias.) Ao longo dos dois meses seguintes, centenas de milhares de casas foram saqueadas por membros da Guarda Vermelha, roubando dinheiro e objetos de valor, destruindo livros, revistas e obras de arte. Os alunos também destruíram as instituições religiosas e cemitérios, bibliotecas e artefatos históricos e culturais.
  6. Junto com a destruição de propriedade, os Guardas Vermelhos membros também humilharam, torturaram e assassinaram pessoas inocentes. Em agosto e setembro de 1966, os historiadores Roderick MacFarquhar e Michael Schoenhals apontaram que os Guardas Vermelhos assassinaram mais de 1.700 pessoas em Pequim. Em Xangai, em setembro houve 704 suicídios e 534 outras mortes relacionadas à Revolução Cultural. Durante esta onda de violência Mao emitiu uma diretriz ordenando a polícia não interferir com o “movimento estudantil.”
  7. O historiador chinês Song Yongyi afirma que o fenômeno generalizado dos assassinatos em massa na Revolução Cultural consistiu em cinco tipos: “1. terror em massa ou ditadura em massa incentivada pelo governo — as vítimas eram humilhadas e depois mortas por multidões ou forçadas a cometer suicídio nas ruas ou outros lugares públicos; 2. morte direta de civis desarmados por parte das forças armadas; 3. massacres contra “inimigos de classe” tradicional por agressores liderados pelo governo, tais como agentes de segurança locais e milícias; 4. assassinatos como parte de uma caça às bruxas político (um grande número de suspeitos de grupos alegadamente conspiratórios foram torturados até a morte durante as investigações); e 5. execução sumária de prisioneiros, isto é, prisioneiros desarmados de conflitos armados entre facções. As formas mais frequentes de massacres foram os primeiros quatro tipos, que eram todos assassinatos patrocinados pelo Estado. O grau de brutalidade nos assassinatos em massa da Revolução Cultural foi muito alto. Geralmente, as vítimas pereciam apenas depois de terem sido primeiro humilhadas, violentadas e depois presas por um longo período de tempo. “Uma vez que o número de mortos é considerado um “segredo de Estado” chinês, ninguém sabe ao certo quantas pessoas morreram durante a Revolução Cultural. Estimativas de vários estudiosos variam de 500 mil a 8 milhões.
  8. Em dezembro de 1968, Mao tinha restabelecido o seu culto à personalidade e restaurado a sua influência. Tendo alcançado seu objetivo, ele se cansou do caos e da violência que tinha desencadeado. Ele implementou o “Movimento ao Campo”, uma expansão de um programa em que jovens “intelectuais” das cidades foram enviados para as áreas rurais do país para viver com um trabalho junto a classe camponesa. (A definição de intelectual de Mao era vaga e incluía crianças que apenas tiveram uma educação de ensino médio.) De 1962 a 1979, cerca de 17 milhões de “jovens enviados” foram deslocadas, deixando o país com toda uma geração de pessoas com baixa escolaridade.
  9. A Revolução Cultural terminou em 1976 com a morte de Mao e a prisão do Gangue dos Quatro. Esta pequena facção política, que incluía a esposa de Mao, tinha desempenhado um papel de destaque na formação e expansão da Revolução Cultural. O sucessor de Mao, Hua Guofeng, os havia detido e preso por seu envolvimento e crimes. Embora o caos tenha terminado em 1976, a revolução devastadora continuou a afetar o povo chinês pelos próximos 50 anos.

Por Joe Carter, um dos editores do The Gospel Coalition.

Traduzido por Victor San, a partir do texto original que pode ser lido aqui.

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