Mensagens

De Dentro Para Fora

De Dentro Para Fora

Perspectiva Teológica do Antigo e do Novo Testamento

Se pudéssemos sintetizar uma definição da teologia prática do Antigo e do Novo Testamento qual seria? Quando entendemos a perspectiva e o caráter Missional de Deus presente desde o princípio do mundo até a consumação do século, o que temos é uma teologia bíblica consistente. Essa teologia existe no sentido de que Deus sempre esteve em missão e seu povo foi chamado também para estar em missão.

Com relação a uma síntese que defina a teologia bíblica nos Testamentos sob a perspectiva Missional, John Piper definiu muito bem: No Antigo Testamento o anúncio era: “Venha e veja”. No Novo Testamento é: “Vá e pregue”.

Conquanto no A.T. o caráter étnico estivesse em evidência não significa que esse fosse o pretendido por Deus. Israel foi um testemunho aos povos de que há um único Deus verdadeiro. O chamado de Abraão foi confirmado com base na promessa de bênção para todas as famílias da terra: “Sê tu uma bênção!” […] “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn. 12:2b,3b).

A lei dada através de Moisés tinha também um efeito didático. Ela fora gravada em tábuas de pedra, ou seja, uma instrução externa que evidencia o que deveria haver nos corações. Toda a instrução da lei continha uma chamada não só para Israel, mas para todas as nações:

Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o SENHOR, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho? (Dt. 4:6-8 grifo meu).

O contorno missionário é evidente, pois o papel do povo de Deus nunca foi uma comunidade voltada para si mesma. A peregrinação anual ao templo requeria a presença de todo israelita sob pena de morte para quem descumprisse essa ordem. Mas o próprio templo reservava um lugar para os pagãos e os estrangeiros que se achegavam a Deus.

Nos profetas o testemunho e a aliança mais uma vez mudam de figura e de disposição. O princípio da lei requer uma encarnação, que seria aplicada pelo próprio Deus:

“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo (Jr. 31:33).

A glória de Deus estava sobre o templo de Jerusalém. Todos os povos eram convidados a irem a Sião aprender sua lei. Mas a aliança do Messias era tal que cada indivíduo participante já não precisaria ensinar um ao outro: “conhece ao Senhor” por que todos o conheceriam.

A visão de Ezequiel em que a glória de Deus abandonava o templo e a cidade entendida no contexto do exílio assírio e babilônico deixa claro que a mensagem ao povo de Deus era: Sejam um testemunho às nações. Sejam a luz dos povos: “Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz”. De sorte que o exílio foi de certa maneira um ato missionário de Deus. Enviou seu povo que tinha o conhecimento da lei para uma nação pagã que adorava falsos deuses.

O Senhor diz ainda: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais (Jr. 29:11). O princípio permanece, mas o enfoque muda.

No Novo Testamento a ótica Missional é muito mais franca e objetiva. Jesus comissionou doze depois setenta, e os enviou para pregar, curar, etc. De uma cidade insignificante brilhou a luz para todos os povos, que começou em Jerusalém (ponto de encontro de diversas etnias), Judeia, Samaria e até os confins da terra. Jesus é o estandarte da presença de Deus entre os pecadores. Presença que santifica e salva.

O ensino de Cristo é muito mais claro e as evidências são abundantes: “O Reino chegou. Ele está dentro de [ou entre] vocês. Agora vão e façam discípulos de todos os povos […] ensine-os a guardar o que tenho ensinado a vocês. Esse mandado repousa sobre o fundamento essencial do caráter Missional de Deus por meio de Jesus sendo entregue aos seus discípulos: 1) Toda a autoridade foi dada a Jesus no céu e na terra; 2) Ele está todos os dias com eles até o fim; 3) Ele mesmo daria o poder necessário para que seus discípulos cumprissem sua missão, sendo eles testemunhas até os confins da terra.

Conclusivamente, no N.T. a ordem é de dentro para fora. De comunidades chamadas para ver, ouvir e entender, o povo de Deus é enviado para pregar, ensinar, testemunhar.

O chamado para “venha e veja” a glória de Deus entre nós se tornou obsoleto. Isso faz com que nossa teologia mude drasticamente. E, consoante a isso, também nossa prática.

Portanto, a ordem é: “Vá e pregue” aquilo que Deus fez com sua comunidade (Corpo de Cristo). Pregue quais são as glórias da habitação de Cristo no coração do seu povo que é dado gratuitamente a todos os povos. A teologia neotestamentária é imperativamente Missional e isto implica em que o caráter, o modo de ser e o agir da eclesia também é Missional. Afinal, é isso mesmo que significa ser igreja: chamados para fora. Pessoas que foram cim chamadas, mas que vão e levam em si a bênção de Deus sobre todos os povos, vivendo de maneira santa entre todos os povos.

Glória a Deus!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s