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Mais que Heróis, Servos

Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça (1 Pedro 5:5).

A juventude pode ser uma fase muito boa da vida. É o tempo onde o caráter e a personalidade geralmente se solidificam. A sedimentação depende bastante de pessoa para pessoa, mas de maneira ordinária é aí que se define um espírito de heroísmo, ou se forja uma alma mais tímida ante os desafios e embates naturais em todas as áreas da vida.

O espírito do apóstolo Pedro na sua juventude correspondia ao primeiro acima relatado, como podemos ler nos Evangelhos. Agora, no entanto, Pedro estava mais velho e depois de ter andado alguns anos com Jesus se encontra na cidade do orgulho, das paixões, da irreverência e da imoralidade. A cidade de Babilônia (5:13) era uma referência clara e direta à cidade de Roma, de onde ditou as palavras de sua primeira carta.

Olhando ao redor o apóstolo observa o mesmo fulgor de corações inflamados e sentimentos que um dia lhe arderam no peito. A impetuosidade e o ânimo que no passado dominavam seu interior sobrevêm à memória e uma profunda compaixão toma conta da mente em relação àqueles que agora da mesma maneira estão sujeitos aos ardores juvenis.

Pedro sabe o que é ser uma alma flamejante e cheia de orgulho, por isso escreve aos jovens: “sede submissos aos que são mais velhos” (5:5a). Com isso solicita que os tais sejam obedientes em demonstração de reverência, de solicitude em ouvir o conselho ou admoestação dos mais experientes. O que, aliás, não deve jamais ser confundido com uma mordaça ou sufocamento do vigor juvenil.

A recomendação de submissão ou sujeição é a mesma usada para ordenar uma tropa militar sob o comando de um líder. Mas fora desse contexto, o sujeitar-se compreende uma atitude voluntária de cooperação, de assumir responsabilidades diante de alguém e de levar uma carga. A exortação de Pedro é para que diante da tempestividade dos sentimentos, pensamentos e atitudes ardentes dos que são mais novos, o que predomine seja o domínio próprio e o respeito. Afinal todos temos experiências a compartilhar e um verdadeiro exército não subsiste com a falta de conselheiros bons e experimentados. E muito menos com um homem só.

Todos nós estamos prontos a nos cingir com a capa de herói, contudo o emblema de pessoas humildes é o manto de servo. Por isso agora diz: “outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade” (5:5b). Além de uma língua afiada o apóstolo manejava bem a espada (João 18:10). Um espírito insubmisso revela alguém refém de seu próprio poder: o orgulho. Uma alma agitada pelo orgulho é o oposto de um espírito humilde e servil. Humildade é o senso real e prático de alguém que se põe na condição de insignificante. É ter uma opinião modesta e real acerca de si mesmo, posto que está pronto para servir a outros. Isso é uma inclinação mental e tanto para servirmos mutuamente tendo em conta os outros como superiores a nós mesmos.

Porém, essa não é a razão última da Palavra para solicitar obediência e humildade. A razão dada por Pedro aos jovens a que se vistam com o manto da humildade, interessantemente possui um argumento muito mais forte. Pedro afirma: “Deus resiste aos soberbos” (5:5b). Pior do que ter o diabo como inimigo é se tornar inimigo de Deus. Isso por que o soberbo atrairá contra si mesmo uma força que jamais pensaria encontrar como opositora. Deus arma uma resistência contra os que possuem um espírito de altivez e os abate. Um soldado em serviço que pensa de si mesmo além do que deve acaba comprometendo toda a tropa (Lc. 22:31-34).

Na verdade, alguém assim não está apto para servir. Além do que, para quem anda com Jesus, mesmo a pouco tempo, já deveria saber que “quem a si mesmo se exaltar será humilhado, e quem a si mesmo se humilhar será exaltado”.

Por fim, a melhor parte é o prêmio por ter sobrevivido e lutado fielmente sob o comando de seu Superior: “contudo, aos humildes concede a sua graça” (5:5b). Não estamos falando aqui de um prêmio qualquer, mas do melhor presente que um servo pode receber: a graça de seu Senhor.

Estamos falando de uma dádiva que é multiforme e abrange uma gama infindável de generosas gratificações à alma daquele que se mantém humilde. A graça é a porta que para os soberbos está fechada, mas para os humildes é dado livre acesso a incontáveis e preciosas virtudes do coração. É a graça que exerce influência sobre as almas humanas dirigindo-as em direção ao prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus. Pois o mesmo espírito de humildade que habitou em Cristo Jesus nos garante a incorruptível coroa de glória: seremos como ele é.

Por essa mesma graça a jovem alma impetuosa de Pedro no passado foi domada andando com Jesus e sob o domínio do Espírito. Isso se tornou base para escrever a jovens que atualmente vivem no tipo de mundo interior que teve. E àqueles que estão inseridos num contexto que mais parece fogo ao combustível das paixões, como seu ambiente em Roma naquela época era – um grande incêndio.

O mundo mudou, mas a arrogância que predomina ao nosso redor continua com potencial para levar cativos muitos de nós. Continuaremos no fluxo do mundo ou resistiremos a ele? Se nos dispormos a resisti-lo com espírito de humildade entre os nossos, Deus está ao nosso lado para conquistar e para garantir a vitória que almejamos. Vitória especialmente sobre a impetuosidade do espírito humano e do orgulho. Só ele pode nos tirar do cativeiro da altivez e nos fazer aprender dele que é manso e humilde de coração.

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