Evangelho

O Reino dos Céus é Tomado por Esforço?

Mateus 11:12

Essa pergunta exige duas respostas. Respostas que quando consideradas à primeira vista parecem contraditórias (não e sim), porém são na verdade um paradoxo. Nas palavras do escritor britânico Oscar Wilde: “Um paradoxo é a verdade ficando de ponta-cabeça para chamar atenção”. A verdade do Evangelho não é ambígua, nós somos. O Evangelho apresenta a verdade sob vários paradoxos.

Dessa forma a primeira resposta é: Não. O Reino dos céus não é tomado por esforço. O Reino dos céus é recebido pela graça de Deus mediante a fé. Se olharmos para os profetas do Antigo Testamento, os quais foram boca de Deus pregando a graça de Deus ao povo mediante o arrependimento e a fé e a maneira como não só a mensagem da graça foi recebida e os próprios mensageiros isso deixa claro que o Reino não foi recebido como Deus propôs que fosse: pela sua graça. Contrariando tudo, os homens preferiram o próprio mérito negando a graça, ora perseguindo e torturando os profetas de Deus, ora matando-os.

O mesmo aconteceu com João Batista e com o Senhor Jesus. João pregou arrependimento e os religiosos o rejeitaram como a um fanático. Jesus veio e pregou as boas-novas da graça e também o rejeitaram como a um liberal e dissoluto. Os governantes romanos e autoridades de Israel fizeram o mesmo que no passado se opondo e resistindo ao avanço do Reino do jeito que Deus determinou.

Mas a verdade por trás de toda essa violência reside no fato de que o entendimento de salvação seria pelo próprio esforço. O problema é que por justiça própria ninguém pode ser salvo. Pelo contrário, o esforço de se produzir uma justiça própria que resulte em salvação só demonstra a perversidade e condenação dos tais. Isso porquê os que buscam estabelecer a própria justiça negligenciam a justiça que vem de Deus e se tornam os algozes da graça. Foram os ávidos por entrar no Reino dos céus pela força que desprezaram a graça e crucificaram o Senhor. E o que para eles seria motivo de mérito se tornou de perdição.

O contexto da passagem (Mt. 11) deixa isso muito claro. João Batista, o maior dos profetas do Antigo Testamento e o maior de todos os seres humanos foi preso como malfeitor (e em pouco tempo seria decapitado). A presente geração rejeitou a sua pregação e também a pregação de Jesus. As cidades que ouviram as grandezas do Reino pela pregação do Evangelho também não se arrependeram e creram na mensagem da graça (Corazim, Betsaida, Cafarnaum). Rejeitaram uma luz que antigas nações ímpias não tiveram, e, portanto, essas serão juízes da presente geração. Pois quanto maior for a luz e maior a rejeição, assim também maior será o juízo e a condenação.

Por outro lado, a resposta à pergunta O Reino dos céus é tomado por esforço? é: Sim. Sim porque em vista da incapacidade humana de salvar a si mesmo, de oferecer a Deus uma justiça própria, existe aí a necessidade de um salvador separado dos homens. Existe a necessidade de um substituto inculpável e apto para salvar os pecadores. Deus é quem estabelece a sua justiça e o seu reino, cabe ao homem buscarem-nos. Pois a justiça que Deus requer deve ser cumprida integralmente, sem falhas nem omissões. O que demanda perfeição (Mt. 5:48). No entanto é evidente que por si só ninguém jamais seria salvo. Mas isso que era impossível aos homens é possível a Deus que enviou o seu único Filho para ser o nosso substituto legal perante ele. Jesus obedeceu em tudo o que não poderíamos obedecer, Jesus pagou o preço das transgressões sendo condenado em nosso lugar. Jesus Cristo, sendo rico se fez pobre por amor de nós para que nos fizesse ricos.

Por meio dele que crê na justiça de Deus revelada em Jesus já está justificado, assim de graça! Sem esforço, sem barganhas, sem obras de justiça, sem sacrifícios próprios, mas pelo sacrifício perfeito de Jesus, o Cordeiro de Deus. Por esse motivo, sim o Reino dos céus é tomado por esforço, pelo esforço de Jesus, suas obras de justiça, sua pureza e santidade, sua obediência completa ao Pai. Coisas essas que ninguém em si mesmo é perfeito.

É por esse mesmo motivo que no mesmo capítulo onze de Mateus Jesus faz aquele convite à entrega a graça de Deus nele.

Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mt. 11:25-30).

Jesus se alegra que o Pai tenha escondido esse mistério dos que se consideram aptos e entendidos e revelou aos pequenos, aqueles que se veem como totalmente incapazes e desprovidos. Posto que só os pequeninos podem compreender o tamanho, a largura, a altura e a profundidade da graça que os conduz à presença de Deus. Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus!

Como o jugo de Jesus é leve e seu fardo é suave! Bem diferente do jugo dos fanáticos e religiosos que querem à força entrar no Reino de Deus e não só deixam de entrar mas impedem os que querem, e fazem de seus seguidores filhos do inferno duas vezes piores do que eles próprios.

Deus nos livre da loucura da justiça humana e nos confirme sempre na graça do Evangelho que vem pela loucura da pregação da cruz. Não me admira que o maior esforço que as mentes barganhosas podem fazer é aceitar que a salvação é pela graça, mediante a fé, fé que nem mesmo vem de nós, mas é dom de Deus (Ef. 2:7-9). Jesus trouxe à luz a justiça de Deus, o verdadeiro esforço é descansar.

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