Educação Cristã

Princípios da Educação Cristã

Princípios Fundamentais para a Educação Cristã

Como educador cristão, sei da necessidade de possuirmos fundamentos bastante sólidos, claros e objetivos. Em uma sociedade cada vez mais relativista e anticristã (é essa a palavra) que domina e subverte os valores humanos (sim, não só cristãos, mas humanos) precisamos nos posicionar, planejar e agir para que nas próximas gerações ainda tenhamos pessoas que prezam e vivem valores que somente fazem bem para toda a humanidade. As investidas impiedosas de uma sociedade que odeia tanto os valores de Deus e aqueles que os guardam não podem ser vistas de maneira passiva (Salmo 11.2).

Precisamos fazer a reflexão do salmista “Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Salmo 11.3). E a conclusão também: “O Senhor está no seu santo templo; nos céus tem o Senhor seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens” (Salmo 11.4). Deus permanece inabalável e soberano. Ele é eterno, imutável e santo. Ele não se deixa levar pela astúcia dos homens. Por isso, enquanto os impiedosos armam seu arco para nos ferir e destruir, nossa certeza é resoluta: Deus vê todas as coisas e as julgará.

Portanto, nossa resposta é enviar ao mundo flechas que vão transformá-lo e construí-lo. Ao invés de des(cons)truir, nossa missão é construir uma sociedade fundamentada em valores cristãos indispensáveis. A maneira de fazermos isso é dando ao mundo o que ele precisa: Preparamos nossos filhos para construírem um povo forte, justo e bom (ler Salmo 127.4,5) que não é envergonhado quando questionado, pois ama o caminho da justiça.

Diante disso, resumi dez princípios que devem fundamentar a educação cristã.

I. Princípio da autoridade

Tanto o professor quanto o estudante devem ter muito claro na mente este princípio, uma vez que ambos (e todos nós) vivem sob autoridade. Sem dúvida este é o princípio por onde se deve começar. Já que neste último século a autoridade tem sido colocada em xeque e cada vez mais solapada pela sociedade ocidental. Trabalho massivo feito pelas ideologias, cuja base fundamental está o anticristianismo. Este princípio está por toda parte na Escritura: desde a criação (No princípio criou Deus os céus e a terra) o homem pode se perceber num mundo criado por um ser superior que já era antes de todas as coisas e, por isso, tem a primazia. O homem e a mulher são livres, porém não são autônomos (própria lei). Ambos vivem sob a lei de Deus que possui diretrizes para a continuidade da vida, e para o bem-estar humano (1.28). Esse princípio invade também o Novo Testamento, tendo sido exercido pelo Senhor Jesus (Mt 7.29) por direito e por influência; e também ensinado por Paulo, por dever e derivação (Rm 13.1). A implicação deve ser vista na relação de respeito entre educador e educando.

II. Princípio axiológico

Anexo ao primeiro princípio, esse também possui importância vital para o educador e o educando. Isto por que é a partir dos valores que a sociedade se constrói ou se degrada. Novamente recorremos a Gênesis onde se vê a importância dos valores absolutos, e o dano que é relativizá-los, distorcê-los ou negá-los. Em Gn 3.1 o ente relativizador trouxe o caos para a humanidade, que acatou. O homem e a mulher falharam em aplicar seus valores eternos quando houve uma demanda situacional. Por isso o educador necessita ter em si uma ética coerente com a sólida fundamentação de seus valores cristãos. També deve ser apto para aplicá-la. O Mestre esclareceu essa realidade a seus discípulos inúmeras vezes (Mt 5.39-48; Jo 16.13) e também os apóstolos (1 Pe 3.15; Tg 1.22; 1 Jo 2.21). A verdade precisa ser crida e igualmente professada com palavras e ações.

III. Princípio epistemológico

Como cristão, o professor deve ter como princípio epistemológico a revelação (1 Tm 3.16). É por ela que conhecemos a verdade de Deus, tanto pelo que a criação testifica (Sl 19.1) quanto pelo que a Palavra opera (Jo 17.17). É também por meio dela (a Palavra) que aquele que adquire o conhecimento pode ter a compreensão de si mesmo (Sl 19.12), do mundo agora, e do mundo porvir (At 17.24-31). Esse princípio foi determinante no caso de Daniel e seus amigos na Babilônia (Dn 1.17-21). Foi a partir dessa fonte de conhecimento que Deus deu notoriedade aos seus servos, concedendo-lhes sabedoria e ciência mais apurada e livre de superstições. Daniel e seus amigos tiveram êxito não por eles mesmos, mas pela Palavra de Deus, que os fez discernir o seu ambiente – totalmente novo e avesso ao de costume – e agir de conformidade com o que lhes havia sido transmitido. O conhecimento deles atingiu profundamente e várias vezes o rei, seus príncipes e os habitantes da Babilônia. O professor é aquele que é usado pelo Espírito para imprimir a Palavra de Deus em cartas vivas. A implicação é que o mundo precisa ler a Palavra de Deus em nós, tanto pelo que falamos e cremos, pelo impacto de nossa leitura de mundo, e pelo nosso modo de agir.

IV. Princípio metodológico

Mesmo como pessoas que possuem autoridade, valores eternos e princípios libertadores, o professor cristão deve exercer tudo isso de maneira que transmita graça aos que ouvem (Ef 4.29). Aqui são revisados os métodos de ensino, visando conduzir tanto o educador quanto o estudante a uma linguagem sadia. O professor necessita comunicar de maneira clara, e em conformidade com a capacidade do ouvinte (Mc 4.33.), não com um pedantismo inútil (1 Co 2.1; 14.19). A metodologia do Senhor Jesus, por exemplo, dava aos ouvintes a oportunidade de participarem do ensino de maneira livre, de forma que os mais humildes e os mais cultos lhe dirigiam perguntas relativas ao seu doutrinamento (Lc 17.37; Jo 3.4). Ele não apenas tinha respaldo (autoridade ética e moral) para o que ensinava, tinha também afeto pelos seus (Jo 13.1b). Embora Jesus tenha subido aos céus, tanto seu Espírito (Jo 16.12,13) quanto sua Palavra (At 17.11) continuam a proporcionar essa capacitação metodológica dialógica e reflexiva nos seus discípulos.

V. Princípio avaliativo

O educador precisa saber que o seu papel é fazer com que o estudante aprenda e se torne maduro. Ele não pode considerar seu trabalho concluído com a transmissão. Deve certificar-se de que houve aprendizado e crescimento. O foco de sua profissão é conduzir seus alunos ao êxito (Tg 1.2-4,12). Do ponto de vista de Paulo esse trabalho muitas vezes é extremamente árduo, porém indispensável (Gl 4.19). Possui também resultados práticos (2 Co 10.5). O educador cristão tem como objetivo um alvo supremo e valioso demais para se restringir à informação sem se certificar da formação (Ef 4.14-19). Esse é um serviço pelo qual somos e seremos cobrados (1 Co 4.12). Sua implicação e resultados interferem diretamente na formação do caráter aprovado.

VI. Princípio espiritual ou metafísico

Uma ciência da natureza humana permeia o entendimento e as atitudes do professor. Tanto professor quanto aluno são dotados de capacidade e vida racional, bem como de uma vida espiritual. Teologicamente, se expressa em termos do serviço prestado a Deus, a guarda de seus mandamentos e ordenanças para o bem da alma humana. Eticamente, se manifesta na valorização do outro como seu semelhante. A formação do aluno deve ser integral, por isso o professor tem diante de si o desafio de alcançar o todo do estudante, e não a parte. Até porque não somos ontologicamente divisíveis em partes, somos seres integrais, corpo e alma. Existe uma ação efetiva de Deus no sentido de preservação tanto da vida natural quanto da saúde espiritual (1 Ts 5.23,24). Mas ainda para além disso, há uma realidade metafísica que nos envolve e define. Ela reside na verdade da existência do Deus vivo e invisível (1 Tm 1.17; 6.16). Sem esse fundamento, a educação cristã, como as outras visões de mundo, cambaleia nas ideologias naturalista, relativista, fatalista, desprovidas de propósito existencial e de responsabilidades. Isso implica que toda ação nesta vida exige uma prestação de contas ao final (Hb 4.13). Mas principalmente os mestres (Tg 3.1).

VII. Princípio social

Como formador de opiniões e de valores, o educador cristão contribui para o despertamento do aluno no cumprimento de seu convívio social. Ele pode fazer isso de maneira intencional e positiva ou relaxada e negativa. A educação cristã se preocupa com o papel social de seus educandos. As responsabilidades são para com o próximo como para conosco (Lv 19.14, 18; 25.35). Este princípio possui diretrizes bem definidas sobretudo na relação familiar (Gn 2.24). O papel dos pais entre si é exposto (Ef 5.33), também dos pais para com os filhos (Ef 6.4; Cl 3.21), e dos filhos para com os pais (Mc 7.10-12; Cl 3.20). Dessa forma, se expressa na comunidade humana de forma específica e geral (Gl 6.10). O professor deve ser exemplo e deve estimular o respeito e cuidado mútuo entre os alunos e todos os seus semelhantes.

VIII. Princípio cultural

Neste princípio se expressa o valor do trabalho responsável. Todos estamos em um relacionamento também com todo o cosmos. Isso exige que o cultivo do que beneficia a todos os seres humanos não ocorra em detrimento do cosmos. Nos campos da teologia, o trabalho é entendido como privilégio e responsabilidade. O abuso deste privilégio acarreta impactos negativos na natureza (Rm 8.20-22), na fauna (Pv 12.10) e terá sua justa retribuição agora e no porvir (Ap 11.18). Há ainda outro privilégio: ao trabalho como dádiva divina desde o princípio da criação (Gn 2.2; 34.21). Tanto o descanso como o trabalho possuem focos específicos devido a importância de ambos (Êx 20.9). O professor precisa transmitir ao aluno a necessidade do interesse pelo ambiente e seus problemas, bem como fazer ver o trabalho como uma graça que produz bons frutos e deve ser estimado (1 Ts 4.11; 2 Ts 3.10).

IX. Princípio da individualidade

O professor é responsável por aplicar o princípio bíblico de que cada ser humano foi criado por Deus de maneira peculiar e dotou-os com capacidades específicas. Esse princípio expressa a riqueza da criação de Deus, tanto no que diz respeito aos animais e plantas, cada um conforme a sua espécie (Gn 1.11,12,24,25), quanto ao Corpo de Cristo, o qual possui muitos membros, com operações diferentes, porém individualmente membros do mesmo corpo (Rm 12.4-5). Mesmo entre o homem e a mulher as diferenças são devidamente traçadas (1 Co 11.7-9). A implicação desse princípio deve ser vista no discernimento de cada indivíduo com suas características próprias, suas capacidades e funções, bem como no respeito mútuo e na conservação de cada papel. Toda criatura foi criada inerentemente com dignidade igual entre os de sua espécie. Mas os seres humanos em especial refletem a imagem e a glória de Deus através da diversidade de suas peculiaridades e dons.

X. Princípio educacional

Todo mestre cristão precisa reconhecer na Escritura um princípio educacional completo e integrado. Toda a Escritura tem uma função didática na vida do ser humano (2 Tm 3.16; Tt 2.12). A lei serve de pedagogo até o tempo da maturidade em Cristo (Gl 3.24). Em várias partes temos esse papel didático sendo demonstrado (Dt 6.6,7; Pv 1.1-4; Jo 7.15,16). Deus é o Mestre por excelência (Is 48.17) e Jesus igualmente o é (Mt 7.29; 13.54; Mc 2.13; 4.2). O povo de Deus também exerce essa capacidade dada por Deus (2 Re 17.28; Ef 4.11). O mestre cristão deve refletir com excelência o dom do ensino.

Victor San | exortai-vos © direitos de cópia. É permitido que copie integralmente este conteúdo, desde que informe devidamente seu autor e fonte. Também é possível baixar aqui o arquivo Fundamentos Para a Educação Cristã em PDF, o mesmo se encontra criptografado e só pode ser aberto com senha. Por isso, ao clicar no link você será redirecionado para baixar o arquivo. Solicite a senha com o proprietário.

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