Estudos Bíblicos

Calvino, Teólogo do Espírito Santo

Palestra ministrada por Augustus Nicodemus Lopes em  16 de maio de 2017, no Seminário Presbiteriano Brasil Central, Goiânia.

O título de teólogo do Espírito Santo não foi dado a Calvino pelos seus contemporâneos, mas pelos estudiosos modernos que reconheceram seu valor como exegeta e teólogo nessa área de estudo. Embora tenha escrito muita coisa sobre o Espírito, ele não se dedicou a uma obra exclusiva ou capítulo específico sobre a terceira pessoa da Trindade em suas Institutas.

A doutrina do Espírito não foi tema de debate com os papistas nem com os anabatistas da época. Ele só tratou este tema quando havia necessidade de lidar com o mesmo. Calvino compreendia que o Espírito agia clara e perceptivelmente, sua obra é glorificar o Pai e o Filho. A pneumatologia de Calvino se desenvolve dentro das demais doutrinas por ele expostas. A Confissão de fé de Westminster também não possui também nenhum capítulo específico sobre o Espírito, porém se refere a ele em nove capítulos. Benjamin Warfield aponta que o capítulo extra na CFW é nada mais que um resumo do que é encontrado nos demais capítulos do símbolo.

O primeiro a sistematizar uma doutrina clara, simples e bíblica sobre o Espírito Santo. B. Warfield comenta sobre Calvino: “A doutrina sobre a obra do ES é uma dádiva de João Calvino à igreja… Calvino foi o primeiro a desenvolver a doutrina do Espírito Santo, sistematizando a doutrina”.

Calvino também resgatou muitos aspectos que a Igreja Católica havia enterrado concernente à obra e pessoa do Espírito Santo. Dentre os muitos pontos destacados por ele e trazidos de volta, está a relação entre a Palavra e o Espírito. Seu ensino influenciou os estudos subsequentes tanto no círculo reformado quanto fora dele. O puritano John Owen é o maior referencial nesse círculo com respeito a um estudo acerca da pneumatologia, tendo escrito vários volumes sobre o tema.

A teologia de Calvino se desenvolveu num intenso conflito que marcou o século XVI. Boa parte da teologia da igreja cristã conservadora sempre foi desenvolvida a partir de polêmicas. Calvino tinha algumas coisas em comum com os teólogos católicos com respeito às Escrituras. A discordância era quanto a autoridade da escritura. Para os papistas a autoridade da Escritura dependia do testemunho da Igreja. Para Calvino a maior prova da autoridade da Escritura se devia pelo fato de o próprio Deus falar através dela. Era o Espírito Santo falando através dela. Para ele o homem natural não pode ser convencido pela explicação (testemunho) racional da igreja. Nenhum dos argumentos lógicos ou racionais acerca da Escritura convence o homem natural (1 Co 2.14). Somente o Espírito opera esse convencimento, o que Calvino chamou de testemunho interno do Espírito Santo. O que o Espírito havia revelado na Escritura é suficiente e final. O espírito que introduz qualquer doutrina ou novidade que vá além do Evangelho, além da Escritura é um espírito de mentira, dizia Calvino.

Por outro lado, Calvino combateu as doutrinas dos que ele chamava de libertinos ou radicais, entusiastas ou espirituais os quais estavam afirmando novas revelações do Espírito. Reivindicavam estar recebendo novas revelações pelo que chamavam de luz interior. Calvino chamava de demência querer separar o que o Espírito fala da Escritura (Institutas v.I cap. 9). O Espírito ilumina o homem acerca das Escrituras. Ele torna eficaz a palavra aos que a ouvem. Ele afirma: “De quão diabólica loucura é imaginar como se fosse transitório ou temporário o uso da Escritura que conduz os filhos de Deus até a meta final!”

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