Liderança

Liderança com Propósito (Resenha)

 

O Dr. Galloway pastoreou quatro igrejas em seu ministério de mais de trinta anos. Foi reconhecido por edificar a Igreja Comunidade Nova Esperança em Portland, Oregon, com milhares de membros. É autor de dezessete livros e atualmente serve como deão no Centro Internacional Beeson para Pregação Bíblica e Liderança da Igreja e do Instituto Beeson para a Liderança Avançada da Igreja, no Seminário Asbury, Wilmore, Kentucky. Warren Bird é seu assistente na administração di Instituto Beeson e faz parte da equipe de uma igreja em ascenção em Princeton, New Jersey. Bird atuou como co-autor e/editor de dez livros e centenas de artigos sobre tendências da igreja, saúde da igreja e pequenos grupos. Liderança com Propósito está dividido em quatro capítulos: Liberte-se do Status Quo; Liberte-se de Viver como um Solitário; Liberte-se de Atitudes que Agridem; Liberte-se da Prisão de Pessoas Problemáticas, cada um deles com subtópicos.

Liberte-se do status quo

Na primeira parte do primeiro capítulo Galloway fala a respeito da visão e da frequente falta de paixão ligada a ela. Afirma que a paixão alimenta a visão, sem paixão não há visão verdadeira, assevera. Por exemplo, sem uma paixão por compartilhar o Evangelho com os que precisam, não haverá uma visão coerente com o desejo de Deus. A paixão surgirá no lugar onde as pessoas foram tocadas espiritualmente, se num grupo familiar, paixão por grupo familiar. Ela pode ser aumentada à medida que andamos com pessoas que também possuem paixão: é contagioso, ele diz.

Na segunda parte, Dale enfatiza a necessidade de buscar uma visão, resumi-la em uma frase. A primeira tarefa do líder é, então, “vender” sua visão. Sugere que a melhor maneira é criar slogans, pregar as Escrituras a respeito de visão, ensiná-la por meio de símbolos e histórias. Por último, considera tornarmos a visão aplicável, investir em interações pessoais, empreender esforço, e permanecer firme na visão quando os contratempos surgirem.

Na terceira parte, o autor discorre sobre estar em sintonia com o que é importante para Deus. Deus ama pessoas perdidas, logo, devemos fazer desse conceito o valor principal de nossa congregação. Para isso, fala da importância de pregar sobre esse assunto.

Na quarta parte, Dale estabelece quatorze frutos de uma igreja de alto impacto. Esses frutos surgirão se tivermos uma igreja vibrante e saudável. Conforme afirma, essas comunidades: alcançam quem outras igrejas não alcançam; alcançam pessoas com diferentes necessidades; oferecem múltiplos acessos; multiplicam toques recebidos pelas pessoas; dão estabilidade quando uma família chega dividida à igreja; desenvolvem celebrações de alto impacto; permitem trabalho em equipe; fornecem oportunidade para as pessoas descobrirem e usarem seus dons no ministério; podem patrocinar os ministérios com maior frequência; aplicam mais recursos para atrair e alcançar pessoas de fora; podem contribuir para a evangelização do mundo; têm potencial para se tornarem centros de ensino; podem impactar parte da cidade; e estimulam outras igrejas.

Na quinta parte, Dalloway foca no poder de se manter adequadamente concentrado nas prioridades ministeriais. As ofertas para dispersão vêm de todos os lados. Devemos ser seletivos nas coisas que fazemos, tornando o que é primordial a principal coisa, fazer o que é certo ao invés de apenas fazê-las de forma certa, recusar esforços menores para ser bem-sucedido em ganhos maiores, paciência com a semeadura e colheita e deixar que o Espírito providencie o poder necessário.

Liberte-se de viver como um solitário

            Nesse capítulo o autor aponta sete princípios de liderança. Ele afirma que quanto mais um líder aumenta sua influência, maior sua capacidade de liderança. Deus nos chama para sermos influenciadores. A influência é composta por credibilidade e comunicação. Nossa influência é o resultado de quem somos e como nos comunicamos. Dale descreve sete maneiras pelas quais podemos adquirir influência: visão clara, credibilidade, confiança, caráter, coragem, compromisso e cuidado.

            No primeiro princípio, Dale fala da tarefa de identificar múltiplos influenciadores, pessoas que exercem influência naturalmente. Trata a respeito do aumento da influência por meio do discernimento das ocasiões, da estabilidade e confiabilidade, conhecimento dos principais assuntos e admitir quando erra.

No segundo, diz que é preciso ser um líder que se derrama para desenvolver outros. Um ministério compartilhado reduz os desgastes por meio do treinamento, organização, uma corrente de cuidados, delegação e equilíbrio.

No terceiro, menciona o princípio do passo único para o desenvolvimento de líderes. Consiste em dar um passo de cada vez: dando exemplo, mentoreando, monitorando, autorizando, multiplicando. É preciso ser intencional, começar logo, deixar que as pessoas cresçam passo a passo, continuar crescendo, e formar líderes, não seguidores seus.

No quarto princípio, fala de um estilo de liderança relacional. Dale sugere algumas perspectivas que ajudarão no equilíbrio e eficácia nos relacionamentos. A visão do líder deve estar equilibrada com o respeito mútuo, individualidade com trabalho em equipe, firmeza com flexibilidade, “revelar” com “omitir”, e hierarquia com disposição a servir.

No quinto, Galloway e Bird tocam no tema que chama-se de momentum. Segundo descrevem, momentum é acreditar que se pode transcender o comum e atingir o extraordinário. O momentum é o impulso que movimenta em direção a algo do comum para o fora do comum. Afirmam que é possível criá-lo: lançando uma visão de fé, focalizando pessoas, compartilhar testemunhos do que Deus está fazendo, ter entusiasmo, crer que Deus realizará o impossível, etc.

No sexto, Dale aborda a possibilidade de formar uma seleção imbatível, um dream team. Para isso dirige-nos para algumas atitudes: mentorear pelo amor incondicional, treinar pela comunicação constante da visão, e confiar na equipe para ajudarem a suportar nossas cargas.

E no sétimo princípio, repassa uma lista de verificação para uma equipe forte, que consiste de um modelo para os liderados, construção de sucesso, justiça, encorajamento, delegação de responsabilidade, espaço para o sonho de outros, apoio, treinamento, compartilhamento, atenção pessoal, repetição, vulnerabilidade, empatia, equilíbrio, atenção, apreciação e afirmação, autoridade, segurança, unidade, paciência e vínculos.

Liberte-se de atitudes que agridem

            No capítulo três, vemos algumas das experiências do autor sobre como entender e deixar que quando somos quebrados sejamos usados para abençoar a vida de outros. Gale compartilha alguns princípios que aprendeu e tem sido úteis na vida de outros: aceite aquilo que não pode mudar; não faça o jogo da culpa; descobrir quem você é; evite a auto piedade; cure as feridas emocionais, escolha e cultive atitude positiva; ame mais; siga em frente; tenha um novo sonho; e, transforme cicatrizes em estrelas.

            Gale assume que líderes em geral não delegam pela falta dos princípios de Jetro (sogro de Moisés), que podem ser lidos em Êxodo 18.12-27. O principal obstáculo para a delegação é a insegurança, conforme o autor afirma. O segundo fator é o desejo de cuidar a todos, seguido do desejo de controlar tudo. Ele tem visto que a motivação para delegar tem sido o desespero, o sufoco e a fadiga.

            O autor fala da necessidade de encarar o fato de que se há alguma possibilidade de algo dar errado, dará. Sugere uma reação positiva e que busca soluções. Se quisermos esperar para agir até que tudo esteja perfeito, jamais agiremos.

            Um líder precisa ter como propósito aliviar as cargas e dividir responsabilidades. Comenta: “a fim de fazer a igreja avançar e crescer pessoalmente como líder, um pastor precisa aprender a definir aquilo pelo qual dever ser responsável e aquilo que não é de sua exclusiva responsabilidade”. Quanto mais cedo aprendermos a compartilhar o ministério, mais cedo o conselho de Jetro será uma realidade. Não compartilhar funções tem resultados graves, como por exemplo, a pressão emocional.

            Seguinte a esse conselho, Galloway e Bird fornecem recomendações de como multiplicar um recurso limitado. Aqui, falam especificamente em adquirir habilidade de multiplicar o tempo. Ou seja, fazer mais coisas em menos tempo. Falam ainda em multiplicar seus recursos (habilidades), serviços, rede de liderança e a multiplicar sua dependência de Deus, o que fará com que todos os demais sejam multiplicados.

Liberte-se da prisão de pessoas problemáticas

            Um líder com um ministério eficaz deve saber lidar com pessoas difíceis. Às vezes será preciso confrontá-las de maneira sábia e cristã. Outras vezes, não permitir que as pessoas o levem a loucura, aceitando que elas “vem de outro planeta” e não irão mudar. Diante de pessoas intimidadoras, sugere ouvir com empatia e responder com gentileza (Pv. 15.1). Dessa forma, indica algumas maneiras de como lidar com pessoas insatisfeitas, com pessimistas, com os que guardam mágoas e vivem despejando-as, os manipuladores e os emocionalmente deficientes. Lembra que devemos nos apropriar do amor e sabedoria de Deus enquanto “desenvolve estratégias bem-sucedidas para lidar com as pessoas ‘fora de padrão’ da sua igreja.”

            Dale chama atenção para o tratamento da oposição e da crítica de maneira positiva. Diante disso, fala de como o líder deve estar aberto a ser quebrantado, a esperar oposição externa, a recusar render-se a pessoas negativas, não esperar soluções fáceis, lidar com o desânimo, confiar em Deus, respeitar a oposição, relançar a visão, reunir as tropas e recusar-se a desistir. Lidar com as críticas pode fornecer sucesso ou derrota.

Resume que “a maneira de controlar qualquer agressão negativa é agir de modo positivo”. A crítica não precisa nos derrotar, mas ajudar a crescer. O autor compartilha alguns aprendizados nesses anos de liderança: todos os líderes são criticados, sempre há mais de uma opção, podemos ser positivos. O modo como lidamos com as críticas é mais importante do que a própria crítica.

            Um líder precisa entender que não conseguirá fazer as pessoas felizes, isso depende da decisão delas. Mas há maneiras de elevar o nível de satisfação global da igreja. Delegar é uma delas. Além do mais, o fator fundamental de satisfação resulta da convivência em comunidades menores, dentro da comunidade maior. Ao invés de tentar fazer as pessoas felizes, é melhor concentrar esforços em motivá-las a descobrir e a usar seus dons.

            Finalmente, Galloway e Bird comunicam que um líder terá como sua maior dificuldade aprender a lidar com o sucesso. Por vezes, a pessoa mais difícil de liderar será o líder consigo si mesmo. A tentação de confiar em si mesmo será grande. Os autores falam sobre ajustar o ego. Duas proposições resumem estas linhas finais do capítulo: “Deus só pode usar-nos quando nosso ego é depositado na cruz” e “o maior desafio na vida é ser uma pessoa de Deus”. Existe uma linha tênue entre confiança e presunção. Sempre que nos colocamos na frente de Cristo, atropelamo-nos.

Crítica

            Como todo livro que trata princípios de liderança, este livro possui uma temática bastante pragmática. O que não significa necessariamente algo ruim. É sempre bom e necessário termos modelos de liderança que conhecem os caminhos da eficiência e que não dispensam a piedade aliada a um senso de realidade que os desafios do ministério proporcionam. Galloway e Bird compartilham com líderes cristãos uma visão da liderança eficaz. Seus princípios e experiências são enriquecedores. Um bom livro recheado de valores cristãos e de maneiras positivas de lidar com as dificuldades do ministério.

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GALLOWAY, Dale; BIRD, Warren. Liderança com Propósito. 2 ed. Campinas: Casa Nazarena de Publicações, 2008.

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